vida

Difícil não é viver,
é prosperar.

Sozinho até será acessível,
mas no meio de tantos
fica mais difícil.

Neste meio,
onde todos morrem de medo de morrer,
quando o que não percebem
é o quão fácil,
será apenas desistir de viver.

Pedir serve toda a gente,
mas no silêncio da dádiva
poucos se movem.
Em todas as meias noites
purgam-se pelo que veem,
mas nem aí descobrem a glória em ser ser,
só ser.

Ficam vazios, pobres,
sem nada.
Sentem-se ricos,
donos de tudo,
de uma vida facilmente apagada.

Nem sequer contam as teclas do piano,
as que afinal são almofadas,
e batem em martelos que batem
e vibram as cordas,
como fazem todos,
os que são tolos,
em tentar viver,
para aprender a morrer.

June 7, 2021

Sinto-me a passar sobre o esperado.

Melhor, ultrapassar. Sim, porque passar é um acto previsível e não demonstra totalmente a superação que vivo. Este termo ( ultrapassar ) define bem o conceito de ultra, último, extremo, superior. Neste caso, superado. Ultrapassar é passar o extremo, e isso é exatamente onde me posso afirmar e situar. Acordado, dominante, vejo com clareza o que me importa e o que me implica. Dessa forma posso ser algo meu e ( aí sim ) passar para um outro estado de programação.

Programações tenho as minhas, relativas a mim e as que decididamente influenciam Outros. Também as tenho claras, as que aplicam ou impõe vontade e disso tratei em vida para que não reste dúvida de como quero viver após a minha morte. E aqui me situo. Aqui me ponho.

A minha abordagem neste ponto foi então perceber que essa singularidade, onde reconhecemos a posição individual que queremos ocupar perante este mundo, depende totalmente do contexto de originalidade, o que permite o que podemos prosperar. Sendo originalidade o ponto de origem de algo e não a diferença entre algo é também clara a distinção entre o que impomos e o que somos impostos.

Conscientes e inconscientes, por vezes misturam-se em termos e definições arrogantes da mais variada ordem, onde se demostram os limites desses termos comparativos sem qualquer valor adicionado. Um exercício social, naturalmente instintivo e sem programação original.

Originalidade é um estado programado, não é um estado natural, onde termos como vocação ou talento são as fantasias que gostamos de usar para nos afastar de o atingir. Programação é um processo original de posicionamento individual e por isso não depende de aptidões sugeridas ou outras demonstrações de arte ou ofício. Programar depende da origem, do processo e do ponto onde, a partir desse resultado, se aplicam novos processos de posicionamento e construção.

Nada disto importa noutros estados de domínio sobre certas matérias, mas para mim a metafísica impera. Quem sou e o que faço tem sido procedente sobre como sou e como faço e isso deve ser relativo também a esse estado. Para quem importa a forma, o processo não facilita, pelo contrário, impede, atrasa e por vezes não clarifica que ele existe como um ato consciente. Duração, intensidade, profundidade não podem ser evitadas para mim, a quem o processo é fundamental e o resultado é então uma evidência consequente e não o objetivo primário de qualquer acção ou atividade. É na esfera pessoal que temos menor domínio sobre este ponto, onde somente a epitome de qualquer relação é o resultado prático do momento, descurando assim o processo que o proporciona.

Neste estado em que vivo, Vivo de outra forma, procedo de origens em origens para a criação de percursos claros e evidentes do estado de ser original. Programo assim a minha vida em unidades de contacto e interações de duração, intensidade e profundidade originais, e isso é-me devolvido com a força misteriosa e clara da minha Morte.

September 18, 2020

Trabalho muito para poder dizer que não trabalho.

February 26, 2020

A vida não é uma arte e viver não expressa mais do que a simples necessidade em estar vivo. Sobreviver é a única razão de procurar estar acompanhado, ao passo que sentir continua o adultério sobre o que é perceber o sentido de estar vivo. Nada se sobrepõe a quem se consegue erigir por si, talvez por isso se vejam menos fenómenos individuais e mais ligações ao coletivo. O artista, o amador, o praticante, desapareceu. No seu lugar surgiu um vulto, pleno de confiança na sua própria obsolescência. Seja assim ou de maneira diferente, como quer que seja eu acredito que o que me espera é fatal. Seja eu mais artista ou mais grupo, irei viver distintivamente o que ousou em mim ficar.

February 25, 2020

Por vezes a inquietação tem uma calma reflectida, aquela centelha de génio, aquela estranheza de forma, de ser, de ver.

Por vezes a inquietação não se chama inquietação, mas vida.

Aguardo que me vejas assim, não pela imagem que sou mas pelo que vi quando abri os olhos ao mundo.

June 5, 2019

Nasci de uma cor, e vivo o peso dessa densidade. Além da cor trouxe um ritmo, num som ribombante, que ecoa na forma do tempo até ao espaço que me conforma. Obviamente, o sabor dessas emoções convulsa em mim um bolsar de curiosidade, crítica e construção na condição basilar de nunca ter como fim a próxima pergunta, a original. Por fim o que toco, essa música da pele, a pauta escrita a dedo, sem marcas no papel, onde sinfonias são todos esses sinais e o requiem se cura como cicatriz. É assim que explico como nasço em mim todos os dias, num ciclo de dentro que já nem depende do fim.

the MONSTRUKTOR

November 27, 2018

Vivo nitidamente na mentira imaginada dos dogmas dos outros. A presunção da minha forma de vida, estranha ou não, não precisa ser cantada para sequer existir. É feita peculiar pela minha singularidade e não depende de outro combustível senão a minha própria gente para me ajudar a mover. Nem alegre nem triste, simplesmente vejo o que os outros acham que pensam sobre mim.

September 2, 2018

Na contração do óbvio com a simplicidade; na vivência do conceito, sistematizado; no progresso do momento exonerado de dúvida só para que surjam todas mais; na ambição suprema de ser eterno após o que aprendo em vida, incitando mais vidas a ser como nem querem; garanto, o homem, que sem obra, não é homem, nem humano.

the MONSTRUKTOR

March 24, 2018

Na contração do óbvio com a simplicidade; na vivência do conceito, sistematizado; no progresso do momento exonerado de dúvida só para que surjam todas mais; na ambição suprema de ser eterno após o que aprendo em vida, incitando mais vidas a ser como nem querem; garanto, o homem, que sem obra, não é homem, nem humano.

the MONSTRUKTOR

March 24, 2018

Dádiva

Tenho uma grande dificuldade em falar com os outros sobre como eu vivo.

A exigência de uma comparação, não permite uma distância abstracta e objectiva, sobre a minha visão estrutural, sobre cada comportamento, opção ou mesmo, sobre os pontos de vistas accionáveis que promovo enquanto ser social.

Dessa forma, a justificação impossível, no sentido lato da humanidade crítica (do que e do como, eu interajo e os permito interagir comigo), é no mínimo, de difícil acesso, mental.

Demonstrar, como exemplo, num raciocínio de manipulação do resultado final amplificado, o respeito pelo outro, no pleno sentido da ajuda e da dádiva, é, e será sempre, uma falácia relacional. Mesmo consciente do quão incapaz ou infrutífera essa situação é, o descrédito pela incompreensão ainda prevalece.

Este é o espectro onde o ser biológico submete a sua essência sobre qualquer outra dimensão humana.

No mesmo plano, garantir que a humanidade de um monstro é a sua face mais realista, situa-se antropologicamente entre a progressão selectiva enquanto o objectivo do raciocínio e o desenvolvimento pessoal enquanto a antítese do comum.

March 19, 2018

Dádiva

Tenho uma grande dificuldade em falar com os outros sobre como eu vivo.

A exigência de uma comparação, não permite uma distância abstracta e objectiva, sobre a minha visão estrutural, sobre cada comportamento, opção ou mesmo, sobre os pontos de vistas accionáveis que promovo enquanto ser social.

Dessa forma, a justificação impossível, no sentido lato da humanidade crítica (do que e do como, eu interajo e os permito interagir comigo), é no mínimo, de difícil acesso, mental.

Demonstrar, como exemplo, num raciocínio de manipulação do resultado final amplificado, o respeito pelo outro, no pleno sentido da ajuda e da dádiva, é, e será sempre, uma falácia relacional. Mesmo consciente do quão incapaz ou infrutífera essa situação é, o descrédito pela incompreensão ainda prevalece.

Este é o espectro onde o ser biológico submete a sua essência sobre qualquer outra dimensão humana.

No mesmo plano, garantir que a humanidade de um monstro é a sua face mais realista, situa-se antropologicamente entre a progressão selectiva enquanto o objectivo do raciocínio e o desenvolvimento pessoal enquanto a antítese do comum.

March 19, 2018

Amo-te verdadeiramente.

Tu, sim a ti, sua puta de vida, em todos os teus momento de legião. Em todos, mesmo os que me subtrais, pelo que me obrigas a ver.

Já sei… Não me obrigas a nada, eu é que quero, mesmo ver… Mesmo assim, colocas-me em píncaros difíceis de explicar, antever que nesses magotes de estranhos mundanos, nunca me importo de ter.

Sou um teu monumento de verdade, autónomo. Anónimo por vocação, afinal tão só o que me interessa preservar; uma intimidade que me reserva do escrutínio simplista, dessa figura de estilo social que prevalece nas mentes dementes.

Com forma de ser, minha primeiro, e só depois de alguns outros, esses que por certo acaso, podem ver como se desdobra uma mente, em ser, humano e bicho, por inteiro.

Além de amor, é cego, pois continuo a achar que somos feitos um para o outro, somos mais que perfeitos. Um duo, inseparável numa canção de amigo repetida vezes e vezes sem conta num disco sem lado; uma desculpa interminável que já não fere, nem mesmo nas cenas execráveis das tuas traições.

Eu sei que te embeicei desde cedo, e sei que não é justo para ti, que te dás a todos, mas também é sempre a ti, sua puta, que volto a perdoar a tristeza da traição.

De momento em momento, nunca te escondo o que sei, por isso dou, e dou sempre, e pelo que recebo de ti, sei que nunca serei o teu rei.

Mas, somos felizes assim, tu com todos e eu em mim.

March 13, 2018

A raiva é uma realidade que sempre me amargou. Deixou-me sempre vulnerável à desilusão, a que infliji na minha vida, injustamente, pela vida dos outros. Pois então, saibam que a raiva que senti até agora se transformou somente na imposição real de me agradarem.

the MONSTRUKTOR

January 7, 2018

A raiva é uma realidade que sempre me amargou. Deixou-me sempre vulnerável à desilusão, a que infliji na minha vida, injustamente, pela vida dos outros. Pois então, saibam que a raiva que senti até agora se transformou somente na imposição real de me agradarem.

the MONSTRUKTOR

January 7, 2018

Sentido

Podia falar da cor, mas não os olho assim. Ou do odor, daquele sabor etéreo que se ouve em mim. Podia e posso, mas não é por isso que falo e faço.

Posso ajudar a quem não entende, ao dizer que o que sente é somente o toque. O da mão que abraça a mente, ao cumprir o desígnio de ser audaz. Pelo que sente, e muito mais pelo que de si faz.

Esta é a partida de ser real, uma artimanha da história, contada pelos últimos a serem presa. Um conto de um dia ser Deus, na esperança de que a verdade nunca os alcance.

Por muitos suspiros que tenham passado, nunca sentirão, pois não, a verdadeira vida de quem não sabe, nem quer ser, como o sentido concreto dessa vida que não ensina, nem a prende a viver.

January 5, 2018

Relativizar a minha parte da nossa vida comum é um ato altruísta que me disponho a aceitar.

Ai, essa simples noção do quanto se teme por risco, desconhecimento ou falta de visão.

the MONSTRUKTOR

July 5, 2017

Relativizar a minha parte da nossa vida comum é um ato altruísta que me disponho a aceitar.

Ai, essa simples noção do quanto se teme por risco, desconhecimento ou falta de visão.

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July 5, 2017

Um desejo incomensurável de vida em mim é tão somente o quanto nos outros nunca se saberá por quem vivo assim.

the MONSTRUKTOR

July 4, 2017

Um desejo incomensurável de vida em mim é tão somente o quanto nos outros nunca se saberá por quem vivo assim.

the MONSTRUKTOR

July 4, 2017

Há em mim uma aventura de não ir a parte nenhuma. De sair de mim só pela noção de ir e nunca estar mais perto que de nada. Esclarecer essa vontade com a minha própria falta de existência, nesse espaço e tempo que nunca é senão num momento breve, o que nunca foi.

the MONSTRUKTOR

June 28, 2017

Há em mim uma aventura de não ir a parte nenhuma. De sair de mim só pela noção de ir e nunca estar mais perto que de nada. Esclarecer essa vontade com a minha própria falta de existência, nesse espaço e tempo que nunca é senão num momento breve, o que nunca foi.

the MONSTRUKTOR

June 28, 2017

Deliberadamente, como a vida só tem sentido, se for vivida.

the MONSTRUKTOR

June 26, 2017

Deliberadamente, como a vida só tem sentido, se for vivida.

the MONSTRUKTOR

June 26, 2017

Se não deixar que aconteça nada, nada vai acontecer.

the MONSTRUKTOR

June 3, 2017

Se não deixar que aconteça nada, nada vai acontecer.

the MONSTRUKTOR

June 3, 2017

Numa epifania de uma pele que contém um corpo sinto em mim as almas práticas que conduzo.

the MONSTRUKTOR

January 5, 2017

Numa epifania de uma pele que contém um corpo sinto em mim as almas práticas que conduzo.

the MONSTRUKTOR

January 5, 2017

Na alma, uma paisagem escolhida de entre máscaras que enganam o Ícaro e tocam o alaúde, dançando tristes, quase em trajes fantásticos de pudor.
Canto no modo que sei ser o meu amor, vencedor, feito de vida oportuna, descrédito, dos que parecem acreditar na minha felicidade, a mesma que mistura na canção a luz da lua.
Triste e enquanto bela, fugaz como a calma, que emociona o leão no sabor do sangue férreo, denso como um arvoredo que soluça o vigor da saúde num jato de ecstasy delgado, feito da mármore que me viu nascer.

the MONSTRUKTOR

December 4, 2014