PhD

My Zeitgeist, a spirit of the time, my time, is but a ghost.

Some parts of it are made of an intended legacy while others of unexpected heritage but all, are building blocks to the present.

Through me, they become what once were, and are processed as such, somehow innocuous and extinct.

Filtered by my pleura, they enter a gaseous state, unaffected in ambient temperature, ready to be taken by some, as if they are their first gulf of air.

These are the parts of the spectrum I’m building to all.

October 10, 2022

Qualquer desafio ao status quo será sempre e primeiramente considerado amoral, mau e reprovável até àquele momento em que se apercebem dos benefícios.

Os que se sentem acusados pela alteração do seu próprio paradigma serão os primeiros obstáculos, os detratores de uma alternativa real à evolução e ao desígnio da virtude, do princípio e da ética.

Os que não estão preparados para fazer parte desse processo coletivo, alinham quando o poder da política se instala como a cultura da sua sociedade.

August 7, 2022

O que será que se move por entre as sombras? Nada.

A luz talvez ainda não tenha cá chegado. Quando chegar, com certeza, acaba a sombra. Se não acontecer, ou a luz ou a sombra darão azo a mais luz, ou, mais sombra.

Um diálogo infinito, como o tempo. A luz, isto é. Esta matéria que não é material. Nem os fotões a provam certa.

É para já, impossível de manter sob o controlo da matéria que é feita da indeterminada passagem de um tempo. Para alguns, pois outros preferem o degrau, a dobra, a redobra e a desdobra, como medida da sua relação de amplitude com o tempo.

Distorcido, ou só torcido, o tempo de alguns é como o corrimão que acompanha o tiro de uma escada: um falso sentido de segurança, mero apoio à locomoção, um arranjo tecnicista ou então arte.

Para Siza o tempo não passa, porque ele decidiu que nem luz, nem sombra, são motivo de sucesso.

São antes as substâncias mais evidentes do fracasso em nomear o inomeável, como um mero homem Barroco.

January 20, 2022

January 17, 2022

Viver fora de uma norma, não é necessariamente ser a-normal, pois nem sempre esta posição implica conflito ou repúdio. Falo disto porque o termo anormal está colonizado por um significado negativo e depreciativo.

Por vezes falamos só de tema ou estilo, o que valida somente o nosso interesse no campo, como uma espécie de investigador boémio. Esta curiosa vontade implícita em saber mais, significa algumas vezes, ser anormal.

Ser excêntrico, porque se sai de um centro – mas sem essa deslocação evitar reconhecer que se mantém uma certa relação geométrica, concêntrica, mesmo que irregular, com esse mesmo centro, do qual saímos.

Nos temas e estilos que todos mantemos como universais, há quem saiba sair sem avisar. Evitando lugares comuns, consegue inesperadamente, ou não, implicar muito mais do que pensávamos possível.

É tão evidente que só depois de muito tempo e digestão, se consegue sequer, iniciar o processo de assimilação. A nossa sociedade não está preparada para dispender tempo consigo própria. Os que têm esta noção, abusam da sua condição anormal para o fazer desmedidamente. Como é tão mais verdade na verdadeira arte.

January 11, 2022

O primeiro é o amador, o segundo o filósofo e o terceiro o crítico.

1 induz 2 deduz 3 transforma

O primeiro induz, enquanto absorve, entranha e prospera na base da arte visual e da literatura. Simultaneamente, como se de um ímpeto de sobrevivência para além dos meros estados de mortalidade se tratasse. É passado portanto, não porque passou (na simples contagem do tempo), mas porque tem a história que escreveu como seu aliado. Esta indução reflete a passagem de energia potencial. É no acumulado poder de construir, para além do simples ato de materializar que, simplesmente, algo se constrói, primeiro na obra e depois na observação da obra. Primeiro pela posição como se ama, autor, depois como permite uma posição ao seu público.

O segundo deduz, analisa a sua construção, sentado, exausto. Exaurido pelo seu próprio estado de criação, deixa-se galvanizar pela dúvida constante do perfeito, do conclusivo, ao ponto de abnegar a criação como sua. Mas, e mesmo em convulsão constante, permite-se momentos de êxtase, geralmente ilusões fantasiosas de dimensões paralelas onde o encontro com o seu público é pacífico. Geralmente, é, e reflete toda uma pedagogia de comunicação clara e coerente. Um saber da base. Quando não é, ou se aprende ou se desiste.

O terceiro transforma. Só isso. Reduz e simplifica ainda mais a noção de valor e validade da obra. Enfrenta-se num juízo sem parcimónia, fermentando a matéria primal numa construção passível de ser perceptível aos outros. Poder, no seu estado mais puro, o que consegue existir sem ser uma existência, mas uma condição para a criação.

Nenhum destes estados é um estado de paz e saúde, apesar de todos serem um estado de construção e adoração. É pelo menos assim que nos querem (sempre!) fazer entender o estado normal (natural para alguns) da criação. Algo doloroso, tenebroso e pouco sadio. Um processo de loucura e decadência, o processo do fim. Romântico, que não distingue o contexto do possível com a vontade da repetição impossível. Recursos como justificação de recurso.

A construção para além do óbvio e da tecnologia está ao alcance de alguns. Não porque a atingem mas porque a incorporam na energia pulsante do seu próprio reconhecimento como nados vivos. Falo daquela que ultrapassa o âmago do entendimento genérico e é, só. Beleza. Universal.

Por isso, completar, ou tentar completar, o poder que poucos atingem desta forma é usurpar o direito a que a inquietude de poucos, fazem verdade a vida de todos os outros. Fiquem-se pela constatação de beleza. Mesmo que tenham sido uma parte dessa criação.

January 9, 2022

A obra de Siza é feita do plano que ele decidiu retirar dos seus pés.

Chã, plana, penitente, poética e plena, tal como uma pérola obtusa, a perspetiva da sua arquitetura é a singular expressão do seu homem, Álvaro.

Álvaro

O mesmo que começou por perceber que a obra se faz por subtração do supérfluo, na adição do significado, sempre imperfeito. Algo que só esculpido se sabe mostrar.

Heresia

E por isso a distinção entre material e matéria, carrega o drama deste enredo, denso, como o arquiteto que escolheu viver no decorrer da sua obra.

Tratados

Admiráveis poemas visuais, as suas obras carregam um peso semântico, imanente e intelectual, tanto quanto existencial. Vemos nelas, como que o desenrolar de um processo de punição.

Adeus Loos

Um processo que começa por maneirismos progressistas que avançam uma noção de libertação das bases clássicas da arquitetura em direção ao campo intersecional e inclassificável da sua narrativa barroca, magistral.

Mais do que um pleno barroco poético, uma visão pós maneirista punk.

January 7, 2022

O viajante não é só o que se desloca, mas acima de todos, o que se dedica a parar.

Observar é um ato confundível e mundano, comum até, mas a diferença persiste na forma como, da observação se transita para a percepção, exigindo assim, assumir a contemplação como um estado pessoal dessa deriva.

Poderei eu, desde Wanderer above the Sea of Fog, Caspar David Friedrich

January 6, 2022

[ sobre a inquisição da matéria social ]

É-me impossível falar dos outros sem falar em mim.

e eu
A construção do eu a partir da figura geométrica em progressão para o sólido geométrico. A mudança de perspectiva, a dimensão espacio temporal da posição, da pedagogia e do poder.

Primeiro, porque a responsabilidade de saber de mim enquanto arquiteto, é somente o ato coerente de elaborar um tema do qual estou disposto a falar, mesmo que errado, por forma a propor uma alternativa do pensamento prevalente. Esta minha ética, sobre a política posicional da minha própria pedagogia de autoanálise e conhecimento/reconhecimento do poder a que tenho acesso e/ou contruí através da arquitetura, assim me impele a fazer. Por isso um doutoramento, na segunda parte da minha carreira, na qual abandonei a minha ligação ideológica com a arquitetura em detrimento de uma possível reconfiguração filosófica da minha disciplina.

Segundo porque, tenho a inabalável certeza de que sou um corpo colonizado. Sei que carrego em mim a herança de uma escola, pela influência dos grandes mestres, que pela proximidade, simbologia, analogia e afinidade se traduzem constantemente na minha prática. Não estou à procura da minha autobiografia científica, mas sei que, como outros antes de mim, me debato com o estado da arte que pratico, na forma com o faço, e no juízo do seu resultado. Evito deliberadamente falar de originalidade, essa é minha, ou não fosse eu um autor.

Terceiro porque estou preparado para ser cobaia. Ser o primeiro a preencher os programas de autoanalise, de ser amostragem e dissecado como o corpo político e construído que sou.

versos de imanência e transcendência

January 3, 2022

O poder da arquitetura não é o mesmo da arquitetura do poder.

December 16, 2021

A critical reading of the state of the discipline of architecture can start with the identification of its dispositifs, in an objective analysis of the prevailing physical, institutional or administrative mechanisms.

A position from the vitruvian geometry

Architecture is the direct manifestation of the set of powers of the trias politica of antiquity. Perhaps it is time to assume its position as the fourth, or rather the fifth power, since the media are in their place.

Nothing prevents me from invoking Her as The fifth power.

December 12, 2021

Estou suspenso do uso da meta crítica e da minha densa forma de pensar.

Essa que me alimenta na análise do meu estado de ser, como a condição do mundo que me rodeia. Infelizmente, prevalece uma normalização silenciosa que a disciplina da arquitetura professa como sua e que me evita como seu membro excêntrico tanto quanto notável. A sociologia tem mediado este espaço de inquisição, mas a geografia dessa ágora imaginada, será sem dúvida o local de uma discussão pelo poder que uma política de virtude isenta da ética mais elementar. Essa suspensão temporária, por princípio, tem tudo para ficar, mas serei o seu guardião atento, para que possa escapar assim que as regras estejam de novo em causa.

Até lá, vivo sem respirar.

December 1, 2021

Sim, eu tenho uma predisposição para a articulação de raciocínios complexos. Complicados, estruturais e nem sempre inteligíveis, estes raciocínios são uma parte de mim. Há quem dispense tempo para os compreender e há quem os evite. De qualquer das formas, quero afirmar que apesar de tudo eles vão continuar a existir, nas suas formas exatas, sem condições adicionais que não a sua dinâmica, na minha cognoscência. Percebem agora?

November 29, 2021

Uma língua assente numa linguagem, a da forma, esta arquitetura, e pela estética contemporânea.

Iminentemente expressiva, artística e cultural, mas no entanto, sem o seu fervor consequente, mais clássico e Universal. A ética, a virtude e o princípio estão ausentes!

É esta a presença de espírito que a maior parte das imagens consumidas diariamente pelo público da sua mensagem invocam na sua leitura. Uma posição frágil e descomprometida, baseada na pedagogia falhada do orçamento ou do ornamento, que de tão desprezo que tem pela prática, é pretensiosa, como só uma disciplina obsoleta pode ser. A obsolescência vem do agora, sem que com isto esteja a exaltar algum classicismo mas, é um facto que, só ontologicamente podemos observar o poder que exalta a manifestação do artifício humano no reino do natural.

De que vale a inocência, a naïveté que não passa da meia medida, quando o copo só se enche com um repúdio ou uma ausência e não com uma ainda maior complexidade? É esta a contradição do momento exato em que vivo, a de saber que o caminho se faz pelo percurso da crítica, na observação da prática pela percepção da disciplina. A quem me dirigir e culpar? Ninguém, pois todos são ainda vítimas da indómita vontade em saber, que o corpo é um dos sentidos que nos falta aprender.

E tudo é poder. O quinto poder. A arquitetura.

November 22, 2021

The more we fail as a profession the more we succeed as “the” discipline.

By educating practices, we can perceive the necessary ethical positions to take, both individually and collectively, in regard to knowledge.

November 15, 2021

“Thank you for the invitation” in academia is starting to feel like presumptuous snobbery. Pretentious. What about just an honest and private “thank you” ? Thanking publicly to the host (individuals, collectives and/or institutions) should not be the introduction to your invoked participation!

This “invitation concept” is wrongly applied when the majority of those occasions deal specifically with an “invocation” of some sort (surely epistemological, perhaps technical or even just an opinionated point of view). Considering a position without this initial proposition of status, hierarchy, superiority and privilege is not justifiable to the audience, to whom the invoked has the obligation to consider on a “equal degree of importance”.

Perhaps, if the “invited” part considered the true meaning of the participation itself beyond curriculum, peer pressure and faculty portfolio, some sort of a “deeper pedagogy” could appear and make “thank you for the invitation” obsolete.

October 23, 2021

We feel the urge to communicate. It gets larger everyday. In that process we tend to transmit unique anthropological concepts, using generalisation tools, as languages and words. Each individual culture is built upon specific semantics. We are “losing” it, quantumly, bit by bit, without even noticing the scale of loss. The unstoppable force of universalisation of knowledge leads me to write these words in English. Imagine what we may be doing without knowing. Bad, wrong, wright, good, it doesn’t matter. This entangled predicament continues to thrive in my mind.

Universal symbols are becoming less questioned by the 99%. A book, an appliance, a house, a street, a government, a practice, a border, a sea, a planet, a light, a fire.

September 26, 2021

É possível mostrar a paz, a ordem e a participação pela beleza, pela contemplação e pela simples presença do indivíduo.

Na posição mais simples de um indivíduo perante todos os outros, podemos encontrar, o que podemos idealizar, ser a escala de um suprimento. A vontade individual é sempre o fator de posição individual e nunca deveria ser questionada a liberdade de escolha das coordenadas de cada um de nós. No entanto, consecutivamente, prevalece uma vontade coletiva universal em achar que falta algo aos outros para estarem naquilo que consideramos o nosso “bem”. O problema começa exatamente aqui : em porque devemos presumir que a vontade individual, na posição individual, é a falta de algo?

Se continuamos a achar que o standard é o nosso, o melhor, ou até o universal, vamos com certeza impor a esse mesmo indivíduo algo que o pode radicalizar a si próprio!

Imagine-se alguém que não concorda com algo. Pois bem, respeite-se a sua opinião, quer se aceite ou não a sua posição. O problema em relativizar as escolhas dos outros está novamente na forma como as sociedades se organizaram desde sempre, propondo identificadores comuns que se transformaram em rituais de pertença, o que levou a aceitação de standards como fatores de classificação e avaliação do indivíduo. Se não há um reconhecimento do indivíduo no coletivo este não nos pertence. Se o indivíduo quer pertencer há exigências de base para a sua avaliação.

Podemos discutir a segurança ( a desse indivíduo e a de todos os outros caso a sua posição seja agressiva ) mas mesmo assim a força da autoridade e do poder judicial ao punir, vai com fracas chances de reabilitar, e o problema de base mantém-se : é imposta uma posição que não a individual.

Outro exemplo, pode ser o de ensinar uma criança a usar uma bicicleta, o que implica um humano capaz de informar a função correta e não a forma da competência mecânica motriz. A técnica é uma competência adquirida pela destreza e como tal independente de um racional individual, onde a “prática” da atividade exige uma posição do indivíduo perante os outros. Posso até ir mais longe e afirmar que de nada servem as regras de trânsito implícitas na competência da atividade, se a criança não se sabe contextualizar perante o seu cumprimento e em alguns casos a sua correta manipulação. Pernicioso, eu sei, mas a diferença entre um humano passivo e cumpridor e um ser ativo e possivelmente manipulador.

Os valores mais elementares da nossa existência foram evoluindo de algo orgânico, procedural e estranhamente universal ( mesmo em extremos do planeta há paralelismos nas civilizações mais relatadas ) para algoritmos antropológicos rígidos e extremamente condicionantes. O uso do telemóvel é o exemplo mais recente desta forma de estabilização na sociedade pelos valores mais interessantes a promover por entidades a quem não interessa a posição individual mas a massa coletiva social, dócil e conformada. O telemóvel é o veículo, a ferramenta e a manifestação da dependência clara de entidades normalizadoras que suprem a necessidade da posição individual com propostas de posição coletiva.

A maioria prevalece neste estado débil, atrofiante e decadente. Vivem na pútrida conquista dos outros e chafurdam felizes com isso nas suas vidas ausentes.

A apatia dos resignados é pois consternante. As oportunidades perdidas seguem-se imediatamente a qualquer tentativa de manter o estado das coisas no conforto do passado. O futuro fica condicionado ao acaso, ou à força da imposição de algo novo, nem sempre melhor.

Capitalismo, socialismo, e outros ismos que tais, trouxeram a obrigação coletiva para o dia a dia da mediocridade, sem que com isso, aproveitassem a posição individual como a alavanca para o progresso, a prosperidade e a evolução da cultura humana. Duvido até que se mantenha equilibrada a relação das pessoas com os seus objetos, implicando desta forma uma subserviência do ser à tecnologia inimaginável até há bem poucos anos atrás. Mesmo no início da industrialização, o bucólico, a nostalgia e a própria interpretação da vida podiam ser relacionadas com a forma como o indivíduo queria participar do prosperidade económica comum ( apesar de rapidamente convencidos do contrário pelos valores económicos das sociedades ocidentais ). Era interessante ver a deslocação individual para o local coletivo na tentativa de participar na construção de uma vida melhor, e nós como oportunistas que somos, perdemos todas as possíveis em melhorar efetivamente a linha da história.

Será mesmo que sim? Será que a minha expetativa do melhor é de tal ordem contaminada com uma visão fantasiada do bem, que me esqueço que há perda, fracasso e sofrimento em tudo que nos rodeia? Será que estou mais uma vez a contemplar o universo perfeito e erro como todos antes de mim? É fácil justificar o estado das coisas com analogias naturais, com utopias e fantasias literárias, dramáticas e até litúrgicas, mas relativizar e aceitar tudo? Nem pensar!

Consigo, tal como vem sendo provado pelos eruditos clássicos, extrapolar desde a minha excentricidade um conjunto de argumentos e coordenadas que serão considerados basilares, muito antes de uma carta universal dos direitos humanos. É possível encontrar este código em cada um de nós, só temos que melhorar o acesso e praticar a norma.

Praticar a “norma”, e voltamos à estaca zero…! Ao zero não, mas a hipótese de reset, de reposicionamento, de repensar caso a caso, é algo que nos foge sempre que é preciso que alguém escreva sobre a mais elementar premissa da nossa existência: o indivíduo.

August 27, 2021

Portugal está a inverter a famosa balança comercial há já algum tempo, onde a exportação tem um valor maior do que a importação. Assim ditam as regras de uma economia próspera e eficaz com relevo na otimização do sector energético. Nesta equação simples, a prosperidade económica tem como principal indicador a matéria, o produto e a transação, como um balanço feito entre o acto da compra e o acto da venda ( descrição leiga ).

Exportar é um desejo económico.
Geralmente sobre bens, transacionáveis, e identificados em várias tabelas compostas por indicadores e variações, influenciando o valor do bem, desde a origem até ao destino. Para o valor real nacional é considerado na origem o custo da extração, da transformação, da produção. Há também o custo da distribuição, aos quais são depois adicionadas impostos e taxas, consoante a sua posição pautal e decorrente de classificações como a de Nice. Há ainda outros tipos de majorações possíveis, tais como sanções entre mercados, sempre consideradas como penalizadoras do valor inicial, bem como inúmeros acordos específicos regionais, aplicados no destino. Um sistema complexo na perspetiva do custo, mas muito simples na aplicação da taxa.

Portugal, tem uma forte indústria de extração, transformação e produção de quadros superiores, licenciados e académicos dos segundo e terceiro ciclo de estudos. São geralmente provenientes das instituições de ensino público, com o impacto conhecido no orçamento da educação e por consequência, na nossa economia. Há investimento real na extração deste tipo de recursos, com a devida transformação financiada em cada unidade particular. Melhores ou piores não é o interesse nesta matéria pois, procura-se principalmente extrair recursos aptos ( o que podemos considerar a maior parte ). A obtenção deste recurso apto é a grande missão coletiva desta indústria transformadora, não fosse essa a única preocupação que a procura identifica, neste mercado claramente regulado. Por fim, geralmente, para o mercado o diploma basta; a proveniência, já não interessa tanto.

A distribuição, neste caso para o exterior ( seja lá onde isso seja ), para onde normalmente existe capacidade de consumo do recurso, é bastante simples: a partir das politicas transitárias europeias, dos acordos internacionais de acolhimento, ou até do simples acesso a praticamente qualquer território que o passaporte nacional proporciona, os recursos podem ser localmente aplicados. São na sua maioria acolhidos com uma boa taxa de sucesso, em contraste com o território português onde os recursos abundam e o mercado está saturado, e logicamente sem qualquer capacidade de absorção de excedentes.

O mercado de origem não tem então capacidade de absorção total e os mercados exteriores continuam a receber recursos, e desde que aptos, são colocados.

Podemos falar de sobre produção mas, será esse o caso na educação? Existe produção a mais ou unidades produtivas sem critério? Outra conversa com certeza, pois o que interessa afirmar é que esta saturação implica variações no recurso, adaptações contextuais, ajustes impossíveis de imaginar num quadro formativo académico e dá azo a novas estirpes sobejamente conhecidas ( precários, inadaptados, geração isto, geração aquilo … ). Mas não será também nestas mutações virais que surgem novas oportunidades e desafios completamente imprevistos? Ficamos por aqui.

De volta à análise de valor, deste ponto surgem duas hipóteses:
01. a depreciação do recurso extraído
02. a exportação do excedente.
01. a depreciação por sua vez decompõe-se em extinção, usurpação e até canibalização do valor do recurso.
02. a exportação, e visto que não é na sua maioria uma atividade regulada, implica o prejuízo direto de todos os esforços de extração, transformação e distribuição que a política de investimento na educação precisou.

Ou seja, se há recursos ( incluindo os custos facilmente identificáveis ) que “saem” sem taxa para o exterior ( ausentes de classificação pautal e designação de exportação ) e sem relação com possíveis proveitos ( presentes ou futuros ), há um indicador económico com falhas na sua análise, a famosa balança comercial. Simplifico, na saída do recurso como equacionamos o prejuízo tido na sua extração? Há algum tipo de retorno previsto?

Os dados não são limpos ao ponto da leitura e do conhecimento dos critérios de micro escala, os quais, mais ou menos relevantes ( não sabemos ) parecem indicar que há um possível problema na análise da matéria. Se, para efeitos da dita simplificação, nomearmos este recurso como “talento”, não temos ideia do impacto económico que a “exportação” ( espontânea ;)) deste recurso tem para nós. A emigração pode considerar a formação mas não considera nenhum valor individual ( e ainda bem que os tempos de preço por cabeça já não voltam ) mas também não consideram a especificidade da origem das remessas. Ou seja, podemos defender que o valor de custo pode ser amortizado na leitura da remessa, mas não há dados ( e bem, pelo direito à privacidade como forma de regulação comparativa entre recursos ) sobre essa possível amortização.

E isto interessa? É assim tão importante definir os limites da nacionalidade para a distribuição de qualquer “riqueza” científica para além das fronteiras económicas e políticas de uma região? Não fosse o sistema capitalista e não, não interessava para nada; haveria somente um bem universal, sem possibilidade de transação e propriedade, e que seria de acesso livre para qualquer tipo de transformação adicional, pessoal ou coletiva.

Mas para muitos é aqui que surge um novo dilema: como garantir os direitos de base à origem… ? E voltamos de novo ao sistema atual, onde a resposta ( económica ) é dada pela identificação da origem e classificação do bem pela proveniência, neste caso, académica. Esta atitude endémica garante que inúmeros sistemas se relacionem e consolidem dependências onde só interessa a extração, transformação e produção de recursos. É um mega sistema, fechado, apoiado no financiamento público, com múltiplas dependências e interesses privados, que se rege por objetivos tão simples como o ratio entre o número provável de diplomas e o número possível de vagas preenchidas. É mais fácil de perceber o impacto negativo para o ecossistema científico e cultural da humanidade, se compararmos este processo com a famosa indústria da carne…! Há paralelismo entre a poluição e o uso da água que o consumo da carne implica, pela sua escala de produção industrial global ( gerando resíduo, desperdício e excedente ao ponto da exportação desvalorizada ) e, a constante produção de recursos humanos altamente especializados pelas academias e instituições de ensino superior. Somos obrigados a exportar! A qualquer custo, seja por iniciativa do produtor de carne, seja pela necessidade básica de subsistência do recurso científico extraído no tal sistema fechado.

Foram várias as tentativas de mitigação deste fenómeno, das quais me recordo das campanhas de captação de capital aos emigrantes, políticas de retorno e até repatriamento aos necessitados, mas também das campanhas locais de tentação aos recursos de outras paragens, assentes na ideia de inversão deste processo de exportação de talento nacional, para que esses externos se instalem e participem na economia local. Resultado prático: ondas migratórias, geralmente associadas a fenómenos políticos e consequentemente económicos, sem qualquer tipo de impacto visível para nada que não a tal perda de recursos nacionais especializados para outras paragens. E porque raio isso é uma perda? É assim tão mau formar alguém num sítio e que depois, vai trabalhar noutro lugar?

Sempre em movimento, a economia não permite parar para perceber o que realmente interessa, no entanto, encontramos termos como reter ou deter, e que parecem regular um sentimento de posse completamente obsoleto. No entanto, são estes quasi princípios que se mantêm presentes nesta forma de manter o sistema em competição, comparação e lucro. Esta mesma forma de quantificar e qualificar o que é nacional, evitando a noção de global é afinal a grande diferença de base etimológica que pretendo sinalizar.

O recurso e o seu valor podem ser relativizados em muitos factores mas nenhum é tão relevante como o custo. Podemos falar do seu valor científico é certo mas, geralmente, esse assunto é renegado para a ( elite ) do terceiro ciclo de estudos, onde a investigação, a associação e a agregação à instituição de ensino, são ainda formas de promover o grau de pureza e concentração endémica verificável pela proveniência. O valor do recurso não é assim definido pela sua capacidade de produção implícita. Um engenheiro produz riqueza, e desde que o mesmo seja apto, vai continuar a produzir independentemente do local onde pratica a sua profissão especializada. O seu talento só vai depender da sua possibilidade de colaboração, ou seja do local onde pratica a sua profissão.

A proposta que falta discutir é a que assenta na participação distribuída do ensino académico como um custo de extração dedicado à humanidade e indiferente do capital regional ( e portanto relativo ) o que estabilizaria as bases de construção comum de uma sociedade global perfeitamente equilibrada. Percebo que para alguns esta normalização pode gerar perniciosas dominâncias ideológicas, mas será sempre um factor a considerar na perspetiva do acesso e da defesa de direitos universais para os os primeiros e segundo ciclos de estudos. Há processos a decorrer com vista a atingir esta bitola, mas as dinâmicas de ranking e captação de valor financeiro destacam certas instituições exatamente para vertente do acesso limitado e da formação de elites endémicas sem valor real aplicável à sociedade ( salvo muito raras exceções ).

O mal não está em exportar talento, está em não saber o que a palavra implica em quem se exporta e sobretudo em quem acha que o melhor termo para a construção colaborativo do futuro da humanidade é um ideal capitalista.

Exportar é um termo colonizado que interessa repensar.

August 12, 2021

Technology, isn’t the topic. Human behaviour is.

What to debate in a reward/cost predicament? Personal reward or collective cost?

What’s the motivation on destroying by excluding the long term vision?

Economists should learn from religions on how to force belief and stimulating responsability.

August 10, 2021

In this day and age, this is a practice made available for all. It does not depend on race, creed or any specificity whatsoever. Everybody, everything can be a topic or, a target.

Targeted humiliation is just the manifest inability to process our own demise. People practice this in order to purge the mediocre mechanism of reality as a dimension of life. To cope, is not even a possibility for these absent and abject behaviours of those so called humans.

Humiliation is not a constructive term and while deriving from the same root as humility it presents itself in the far end of the productive spectrum. Humility is yet another shameful definition on how to poorly know one self. It brings some kind of theological burden attached, that makes my heart to want to depart from the definitive application of the concept.

Shame, as another product of this equation, stays foot in the immediate ground made recognisable by the debris of the application of this mechanism. Yet again a highly charged definition with theological connotations adding to the otherwise unrelated boundaries of punishment and offence.

I’m getting traumatised by the intended, mischievous and direct use of these social emotions. Even good honest people, trained in human reality and participating in some kind of advancements in our anthropologic story produces measurable amounts of this contagious and almost invisible particle. It takes shape in deeds, comments and specifically in written form (social writings are the preferred embodiment of this behaviour). Likes, are particularly harmful.

People stopped having the decency to restrain themselves for opinioning about other people’s life. This made available a range of inspirational evil only comparable to the most divergent belief in humanity we could have ever fantasied to exist.

Since this is real, happening for ever as history can relate, and continuously evolving into more refined ways of exposing itself as an alternative to exceptional and elegant conviviality I can therefore request for us to stop and reposition perception training.

I suggest for us to go back to the primordial soup and season it correctly, this time with the hability to have learned from observed experience.

August 4, 2021

I’m not enough for me.

Motivational consistency, continuous improvement, content indexing and archival, and evolutionary analysis are some of the aspects I have a great difficulty to put in a routinely sequence.

I can say I am at my best dealing with newly found challenges, individual or group based, but rather soon in the process I loose my interest and deter myself from continuing.

I am an established igniter, with a respectable drive on critical analysis and on kick-starting anything. I guess it has to do mostly with curiosity, mine; or maybe some kind of feline way of being stimulated in order to maintain the agression levels of my territory well kept. Nonetheless, this happens, I loose interest, and I get bored.

What happens afterwards this state of boredom can range from bursts of creativity (using the common definition of creating something new), enhanced will power, wide group influencing (known and unknown stakeholders) and even procedural revolutions organically changing at least one methodological factor in the process.

I’m not a bad finisher either, but there’s always so much human factors involved that I keep juggling two arguments in my mind in a way to motivate myself to maintain my sanity:

01. I’m not a team player and I find excuses to “end” my participation as soon as people’s start deriving into entropy from the initial propositions (maybe this is an expected behaviour and I’m not able to deal with that decaying scenario and accept that it happens at all levels)

02. I’m balancing a state of quantum social positioning in which I keep a system lubricated by feeding myself with the difficult beginning while I am at the same time expecting to trust to the specialists the time and space expected for them to achieve the “ends” ((the results are surprisingly (and exponentially) increasing in quality, the further I take my ability to keep a safe distance from my natural way of accept the opinion of others out of the equation and, by influencing everything around those “ends” with my next … initial energy! 😉

This indents the second argument in arrogance, ego, vision, talent, power, experience, and so many more meta definitions of restlessness that only a profound self knowledge about intention, ambition and beauty, can help. This can also be seen as an almost closed system, almost a loop, but cyclically forwarding my choices at a lower and lower rate of my own energy. Still, I can say it started with a large amount of it, despite being inversely visible to the quality of the result at higher and higher rates.

This autonomous body of work, and experience is a system of insufficient creation. The beginnings and the multiple ends are continuously connected to one another and appear to have a respectful eternal insatisfaction attached. The process thrives on entropy and honest retribution, analytically conducting more and more unknowns into the core of combustion and still, it is achieving the state of a cristal, in which the transformation quietly expends no visible energy of mine to occur.

However, I wish I had time to learn how to stop and rest, only to know how much more I could do if, I was sufficient for you.

August 3, 2021

What’s the last thing you remember saying to yourself?

July 30, 2021

Um processo longo de auto reflexão. Dificilmente isento e claramente dependente da aceitação do pressuposto ambiental da influência direta. Culturalmente penoso, socialmente ignóbil, mas é assim que registo um percurso onde passei uma década sem ler.

Agora sei porque o fiz, e mantenho a minha escolha, quando descubro vezes sem conta, que orbito na erudição de tantos outros, como se a estivesse destinado a encontrar.

Sociedade, academia, campos específicos da arte, da cultura e das minhas práticas profissionais vão ser invocadas em diversos momentos num conjunto de pontos que reservei para a segunda parte da minha carreira ( a primeira parte foi dedicada a garantir a existência da segunda … )

Títulos e especializações, formações e participações, recolhidos no critério que está definido nas regras deste jogo secular. O tempo ocidental define qual o acesso, o desenvolvimento e a melhor aplicação para praticamente todos os campos de interesse. Com especial atenção para certos campos, onde a manifestação deste ecossistema de propagação global tem maior impacto.

E foi assim que escolhi seguir o caminho do terceiro ciclo, estudando de dentro para fora o que sei ser necessário descolonizar. Improvável?! Surpreendente?! Ou a delação suprema do sistema ocidental? Daqui a uns 3 ou 4 anos eu conto como foi.

July 29, 2021

When construction is not enough to answer to a specific situation or demand, unbuilding comes as the most appropriate answer.

Constructing only occupies the spectrum of probable solutions, with volumetric space always being conducted to a state of “human like” environment. The term is never dissociated from this enlisting to a categorie of recognisable places, spaces, or faces ( Agnès V. anyone …?! ) and also, is not taken into account the range of possible approaches/solutions that other views, perspectives or coherent positions, in which this occasion may occur.

This can also be a vague statement, but if we defer from the definition of demolition ( the predictable synonym and mental picture the large part of us take into account when considering unbuilding as an action ) most of us can actually impose onto themselves a rather constructive presumption on what actions can be applicable to that activity.

Unbuilding ( or to unbuild ) is therefore the act of conscious decision over a specific habitat, either it has been humanised or have been kept in it’s most natural form.

This semiotic exploration is not in any way exclusively connected to urbanism, architecture or engineering ( as construction actions, but to production as an universal activity ) , and rather as an analytical mechanism conducting specific transactions in our habitat with our presence in any scale, duration and anthropological context. This is not also, a diminished position towards the theoretical anthropocene ( which we strategically do not extend to the boundaries of society, but still regard as a unit in geologic time ) and rather an extension on what proper training, positioning, and perception can induce to us all as useful tactics.

Deconstructing, unbuilding, decolonising are very strong words, that contain the strength of this particular insight on how to propose innovation, in the way we experience systems, methodologies and cosmologies.

July 23, 2021

Um título não me serve de nada, excepto na douta paradoxia de alguém que no mesmo do mesmo, as condições para resolver a existência de tais contradições.

Colocado, inquieto, feliz por mais um desafio.

March 15, 2021