challenge

– território um :

Este é o que vivo desde dentro, desde um foco interior ( talvez pessoal ), e admito que está sempre voltado para fora, onde vivo ultrapassando as minhas próprias fronteiras: físicas, tais como resíduos do meu património ou então, imensas coletâneas de um pensamento exportador, comunicante e expositivo de uma forma de ser e estar. A presença do meu corpo em estado público, é admissível como prova de contato real com outros seres, e prova que este conteúdo territorial existe, em meio social e na direção da construção de uma imagem exterior, a partir do âmago que a emite.

– território dois :

De dentro para a infra escala do autoconhecimento e para a noção egocêntrica do indivíduo interior. Talvez dialogante com nada mais do que a proposição de essência, é assim que a construção pessoal, violenta e revoltante tanto quanto inquieta e deslumbrante, se propõe autista. Atingir este lugar implica preparar tanto a paz como a guerra e no meu caso, saio desse campo sangrento vitorioso com o resultado, mas derrotado por não ter sabido evitar a disputa de mim próprio.

– território três :

Sobreviver entre dois pontos antagónicos no espaço, entre dois polos que relativizam o tempo entre eles : pela ausência da presença ou pela presença da ausência. Por isso são complementares, na leitura do corpo que habita tanto o tempo quanto o espaço e se delimita como um volume de fisicalidade e intelecto. Como exemplo, posso referir a distância como um ponto de outro lugar, seja para me refletir nesse espaço disponível para habitar ou então referir um tempo que espera por mim; posso apontar num acontecimento que depende da presença, e na ausência desse tempo afirmar pela leitura de uma memória, que revivo um espaço. Este território mais complexo, de consciência e emulação de uma suposta vida, é perigoso e sintomático. É traumático e inflige mais dogmas do que dores – isto se o reduzirmos a este corpo d@ ágora.

De dentro para fora, de dentro para dentro e entre dois polos reais da memória, são os territórios que habito, e às vezes aflito, atento em como a surdez da realidade comum nos transforma e constrói em grãos de nada, mesmo sabendo o que sei, só para nos devolver à história, como novas tentativas de vida.

Oportunidades.

July 9, 2019

Hoje são 39

Desafio : escreve como se escrevesses para uma criança, depois um adolescente, depois um adulto, depois para ti, depois para um velho.

– Tenho saudades de mim, de ser só um espectro de força e vontades. De ter o ímpeto do vento pelas costas, e sair. Sem compromissos e sem entraves. Já nem me lembro porque deixei de o fazer, mas sei que o fiz. Sabia sempre que deixava algum alvoroço, mas voltava, forte, renovado, a sorver a casa. Era tão bom sair como era chegar, e com o passar dos anos isso mudou. Já não saía, tinha as âncoras do outros amarradas aos meus pés. Estavam em fio do Norte, mas era uma guita forte…

– Cortei com uma faca.

– Aprendo muito! …muitíssimo, mucho, molto, trés, much… Vamos sempre a sítios bons e divertidos. Sem animais, que esses são para ver ou na TV, nos desenhos ou na natureza. Eu gosto do zoo mas não devemos ir, por causa deles. Porquê? Onde é que está?

– Eu?! Ainda não consigo falar… ele disse-me sempre para me rir, mas não é humano isso… Também me dizia sempre “ainda”, por isso deixa-me estar. Queria muito poder sentir outra vez aquela inquietude como minha. Aquele calor azul.

– Como é que eu vou fazer agora? Eu sei que quando não sei o que fazer, não posso fazer nada antes de parar e pensar, mas as respostas que ele me dava sem dar… São tudo. Eram tudo… Não. Não quero saber de mais nada, nem de fotos nem de fotografias, só me apetece escrever e falar com ele…

– Bem… Rir não, mas não estou triste. Nunca lhe fiz as vontades todas mas nunca deixei de fazer algumas. Esta custa-me a mim, que percebo a ironia, mas… pensando bem… só é bom partir, porque é melhor voltar… Uh, por isso, não estou triste. Uhh… Ele sempre voltou, onde e quando quis, mesmo mais tarde, mas foi quando se sentiu preparado. Uhhhh…. E nunca o viste fazer diferente.

– Eu sei, mas não consigo. Eu não… Ainda…

January 16, 2018

Hoje são 39

Desafio : escreve como se escrevesses para uma criança, depois um adolescente, depois um adulto, depois para ti, depois para um velho.

– Tenho saudades de mim, de ser só um espectro de força e vontades. De ter o ímpeto do vento pelas costas, e sair. Sem compromissos e sem entraves. Já nem me lembro porque deixei de o fazer, mas sei que o fiz. Sabia sempre que deixava algum alvoroço, mas voltava, forte, renovado, a sorver a casa. Era tão bom sair como era chegar, e com o passar dos anos isso mudou. Já não saía, tinha as âncoras do outros amarradas aos meus pés. Estavam em fio do Norte, mas era uma guita forte…

– Cortei com uma faca.

– Aprendo muito! …muitíssimo, mucho, molto, trés, much… Vamos sempre a sítios bons e divertidos. Sem animais, que esses são para ver ou na TV, nos desenhos ou na natureza. Eu gosto do zoo mas não devemos ir, por causa deles. Porquê? Onde é que está?

– Eu?! Ainda não consigo falar… ele disse-me sempre para me rir, mas não é humano isso… Também me dizia sempre “ainda”, por isso deixa-me estar. Queria muito poder sentir outra vez aquela inquietude como minha. Aquele calor azul.

– Como é que eu vou fazer agora? Eu sei que quando não sei o que fazer, não posso fazer nada antes de parar e pensar, mas as respostas que ele me dava sem dar… São tudo. Eram tudo… Não. Não quero saber de mais nada, nem de fotos nem de fotografias, só me apetece escrever e falar com ele…

– Bem… Rir não, mas não estou triste. Nunca lhe fiz as vontades todas mas nunca deixei de fazer algumas. Esta custa-me a mim, que percebo a ironia, mas… pensando bem… só é bom partir, porque é melhor voltar… Uh, por isso, não estou triste. Uhh… Ele sempre voltou, onde e quando quis, mesmo mais tarde, mas foi quando se sentiu preparado. Uhhhh…. E nunca o viste fazer diferente.

– Eu sei, mas não consigo. Eu não… Ainda…

January 16, 2018

Azulado

Desafio : escreve como se escrevesses para uma criança, depois um adolescente, depois um adulto, depois para ti, depois para um velho.

– Quero aquele, o azul.

Muito bem. Escolhes o que queres e tens o que escolhes. Sabes porquê?

– Só se for porque não sabe escolher… e é mais barato do que as minhas capas… Mesmo que não sirva para nada, como sempre… Estantes de nada!…

– Não te percebo, estás para aí a rezar sobre o quê? Porque não concordas, não precisas, ou não te faz falta, vais reclamar?

– Sim! Vou! Exatamente pelo que disseste.

– Pois é, ela tem razão. Se está a mais, está a mais, não faz falta.

– Tudo bem, mas a menina pode ter um mimo, um pequenino, para poder perceber o que isso importa, ou não… Senão como vai aprender?

– Pode ser assim?! … Tens, tens, não tens, não precisas, nem sentes falta! Assim escolhes melhor o que queres ter e não vais ter nada a mais, tens o necessário. Se não, imagina como era teres tudo o que querias, ou nada do que querias. O que escolhias para a tua história? Tudo? Nada? Nah aha. Equilíbrio, como o azul, nem vermelho, nem verde, azul. Mais forte ou mais fraco?… Depende da história, da tua.

– Já não gosto de azul.

– A sério!? Depois disto tens que reduzir ao gosto? Sabes que não se julga pela capa….?!…

… não faz mal, mesmo assim eu posso escolher outra cor, não posso?

– … mais valia, não serve pra nada…

– Podes. Escolhes o que queres e tens o que escolhes.

January 15, 2018

Desafio : escreve a primeira vez como se escrevesses para uma criança, depois um adolescente, depois um adulto, depois para ti, depois para um velho.

– Sabes bem o que eu gosto de ti. Por isso, podes sempre achar que eu sou teu amigo, e podes ter a certeza que te vou ajudar em tudo, mesmo tudo… o que não for meu para fazer. 
Tens que saber o que queres fazer, e só depois, só mesmo no fim, pedir ajuda. Mas se não souberes pedir o melhor é nem tentar que já sabes que te vou dizer para pensar…

– ‎Oh pois, dizes isso, mas a mim não me dizes o que fazer. Estás sempre a exigir-me as mesmas coisas e eu nunca sei o que me queres dizer… Dizem que m’ajudas mas nunca ajudas a fazer o que tu queres. Fico sempre perdida, sem saber nada, mesmo depois de pensar, no que preciso, para ter a tua ajuda!

– ‎Sabes bem que não é isso que te dizem! Nós dizemos-te como saber fazer, para quando vocês estiverem por vós, se lembrarem do que te disseram… Já viste o que era a tua vida se não soubesses procurar? Como procurar… Diz-me lá que não te lembras do que te dizem quando precisas saber o que fazer? De quem te lembras…?

– ‎Comigo também foi assim. Disseram-me sempre para fazer o melhor e isso nem sempre era o que eu queria mas foi a maneira de me porem a pensar em mim, de me protegerem, sem estarem presentes. É como se eu soubesse o que tu vais sentir e vais precisar, e assim ficas a saber o mesmo que eu. A seguir fazes melhor. Vais fazer de certeza… já vais com avanço! Eu também tive as minhas dúvidas e sempre fui impaciente… Ainda sou! Principalmente quando sei que sei a resposta, e vejo os outros todos à procura…

– ‎Pois, eu também… 

– ‎Huhmm

– ‎… acho…

– ‎Ouve-se bem, antes de…

– … mas…

– ‎Deixa-os perguntar. Tu também, bem sabes, queres perguntar tudo. Sempre foste assim, mesmo pequeno nunca paravas de perguntar tudo, sempre. Eras assim, e ainda bem, mas tudo, agora ouve. Ajuda-os a sério. Volta. 

January 15, 2018

We project our biggest challenges in others and radically at the world around but, everything starts when we define the biggest challenge of all, us.

the MONSTRUKTOR

May 24, 2016