Contexto e Área de atuação
O Laboratório de Arquitetura do Porto – LAP LAB, nasce como um espaço de encontro entre a academia e a sociedade. Fruto de uma reflexão crítica sobre as trajetórias e metodologias de ensino convencionais, o LAP LAB propõe uma ruptura com pedagogias dogmáticas, hierárquicas e meritocráticas.
No LAP LAB, o regime laboratorial e interdisciplinar é o método de análise, investigação e atuação. A posição crítica dos membros fundadores sobre os seus percursos, interesses e motivações ativa uma clara afinidade com métodos pedagógicos alternativos. Tendo a arquitetura como disciplina central, o laboratório cruza e integra práticas arquitetónicas com domínios de conhecimento exteriores a si mesma, numa perspetiva transdisciplinar que enriquece a abordagem pedagógica tradicional.
O LAP LAB ambiciona ser o locus de diálogo entre o individual e o coletivo, onde a responsabilidade pessoal floresce num coletivo heterogéneo que valoriza a participação plural e ativa, refletida na diversidade da realidade onde se insere.
Sendo um espaço experimental, o LAP LAB reconhece a relevância do erro como aprendizagem nos processos arquitetónicos, artísticos e científicos. Os caminhos explorados não são limitados a uma aprendizagem orientada para metas ou resultados, mas antes para a experiência da técnica, intuição e confronto com a realidade – que pela sua constante transformação requer adaptação e criatividade. A obsessão pelo resultado sucesso dá lugar à irrequieta procura de alternativas e derivações, onde a liberdade é a base e a experimentação se materializa.
Pertinência e Atualidade
O LAP LAB abre um espaço vital para o desenvolvimento, consolidação e debate de questões emergentes da arquitetura e da sociedade, sustentado por uma pedagogia marcadamente antropológica.
Questionar o status quo da pedagogia arquitetónica implica uma reflexão profunda sobre as abordagens metodológicas precedentes, identificando barreiras e lacunas existentes na formação do arquiteto. O laboratório desafia agentes de poder da disciplina, conhecimento colonizado e centralizado, e processos ambientais envolventes. Assenta na reinterpretação dos processos pedagógicos através da projeção de pontos de partida para uma etnografia multimodal do pensamento e da sua manifestação prática.
O LAP LAB assume o desenho e o desígnio da arquitetura como uma construção política. Consciente dos problemas sociais, económicos e ambientais contemporâneos, Cruza múltiplos contextos específicos numa matriz relacional. Manifesta-se nas dinâmicas de integração e interação que antecipam uma narrativa de ação e posição transformadora da realidade.
Sistema de análise
Posição, pedagogia e poder
O sistema de análise do LAP LAB centra-se na desconstrução de narrativas globais e perceções estabelecidas sobre o papel do ensino da arquitetura na contemporaneidade. Longe de ser um método rígido, esta leitura da atualidade configura-se como um processo dinâmico que promove a inclusão de origens e fenómenos, desafia paradigmas tradicionais e questiona os limites do conhecimento arquitetónico.
O LAP LAB valoriza a partilha aberta do conhecimento, expandido para além do espaço académico, assente num modelo de investigação laboratorial, construtivo e participativo. Baseia-se em modelos que estabelecem relações diretas com a comunidade ativa e com o território. O processo analítico do Laboratório, não se limita a uma abstração conceptual ou teórica mas procura também uma resposta eminentemente prática, direta e integrada no contexto humano e territorial envolvente.
A relação com plataformas de consolidação e produção de conhecimento, nacionais e internacionais, permite ao laboratório entrar em contato direto com realidades distintas e contextos emergentes. Explora o papel da investigação na arquitetura, questionando formas convencionais do ensino e da práticas, e estruturas de autoridade que condicionam o fluxo de conhecimento.. O LAP LAB é a plataforma onde o tradicional e o disruptivo se cruzam e dão espaço à materialização das respostas às necessidades, problemas e claras urgências.
Metodologia e Prática
A metodologia do LAP LAB assenta num sistema de aprendizagem livre e experimental, autoproposta e isento de avaliações comparativas. Através de ciclos de trabalho, são elaboradas as oportunidades de investigação, problematização e resposta aos temas identificados nos territórios de atuação.
O laboratório ambiciona promover uma relação direta entre questões, dúvidas e certezas. As metodologias laboratoriais exploradas enquadram formatos como: oficinas, seminários e projetos de campo com a comunidade local, estudantes, convidados e especialistas.
O seu carácter laboratorial reforça a importância do confronto direto com os intervenientes internos e externos, que afetam e são afetados pela problemática do seu contexto circundante. Promove-se, assim, uma paisagem em que a diversidade de agentes, recursos e materiais é integrada num processo de conceção inesperado e experimental. Combina-se uma conhecimentos de etnografia e antropologia com a política de produção científica e económica, numa prática pedagógica claramente desviante, enriquecida e necessariamente democrática.
Parcerias
O LAP LAB caracteriza-se pela sua autonomia institucional, promovendo uma abordagem independente à prática e à investigação em arquitetura. Contudo, estabelece relações estratégicas com diversas entidades académicas, culturais e institucionais, garantindo a viabilidade e o alcance das suas iniciativas. Estas parcerias possibilitam a realização de eventos, atividades e programas formativos, fomentando uma rede interdisciplinar de colaboração. Através desta articulação, o LAP LAB reforça a sua capacidade operativa, consolidando um ecossistema dinâmico de produção e difusão de conhecimento.
Reconhecendo as lacunas na relação entre a faculdade de arquitectura da universidade do Porto (FAUP) e a sociedade, o LAP LAB expande-se como um espaço ligado proporcionalmente à cidade e à faculdade, estabelecendo uma presença crítica com os núcleos de investigação existentes, nomeadamente o centro de estudos de arquitectura e urbanismo (CEAU) e o centro de estudos da faculdade de arquitetura (CEFA), sem contudo pretender concorrer com as suas atividades. O LAP LAB configura-se assim como uma estrutura relacional que potencia o interesse disciplinar na participação individual numa estrutura coletiva polarizada.
Projectos
Laboratório-oficina
O laboratório-oficina do LAP LAB constitui um espaço de investigação aplicada, experimentação e partilha de (in)formação, onde a arquitetura é exercida de forma crítica e relacional, num processo de aprendizagem dinâmico e imersivo.
Ancorado num modelo pedagógico experimental e colaborativo, o laboratório propõe que o seu próprio espaço sirva como catalisador, operativo e reflexivo, dos participantes integrados por cada ocasião.
A localização estratégica deste laboratório-oficina permite a análise e intervenção sobre dinâmicas urbanas existentes ao potenciar a interação entre diferentes agentes do território, fomentando um ecossistema de colaboração e partilha que envolva estudantes, docentes, profissionais, comunidade local e a sua representação institucional nas autarquias.
A metodologia adotada privilegia abordagens de learning by doing e challenge-based learning, promovendo um processo formativo que liga conhecimento teórico e prático. A abordagem transdisciplinar permite explorar soluções para o contexto específico, estimulando a capacidade crítica e projetual.
Ainda em processo de seleção, a situação sócio-geográfica da freguesia de Campanhã e o local específico do Liceu Alexandre Herculano são à data os argumentos preferenciais.
BIP – ONAC
O BIP – ONAC (Blended Intensive Program – Observatório Nacional das Alterações Climáticas) em parceria com o município de Manteigas e a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, procura estabelecer uma conexão robusta entre a comunidade local, a cidade construída e o território
O complexo ONAC funciona como um operador para uma nova abordagem a um edifício-rede-cidade, estabelecendo um modelo descentralizado e interdisciplinar para a produção de conhecimento e sensibilização sobre as alterações climáticas. O programa integra arquitetura, geografia e artes para explorar as dimensões tangíveis e intangíveis do território. Atuando como uma experiência de prototipagem que exporta novas formas de conhecimento para locais que enfrentam questões semelhantes, o evento desenvolve uma abordagem metodológica original, consolidada por diferentes universidades, convidados e participantes, aplicada na prática da arquitetura em contextos hiperlocais.
Desta forma, o evento ativa uma posição crítica perante as políticas de habitação atuais, promovendo o debate internacional e a busca por alternativas pedagógicas. Ao enriquecer o conhecimento individual dos participantes e ao cultivar uma rede de causa e efeito, o Parque Natural da Serra da Estrela, e em particular a cidade de Manteigas, emergem como um local significativo para potenciar a integração de valores naturais e culturais, tradições locais e conhecimentos especializados.
O BIP pretende assim atuar como uma plataforma flexível e expansível onde é possível explorar, experimentar e desenvolver soluções em resposta direta às necessidades reais da comunidade.
Enquadramento coletivo
As motivações pessoais, intencionalmente diversas em geografias, contextos e sonhos, convergem num enquadramento coletivo. Com contributos que visam a transformação (i)material da arquitetura, o LAP LAB é o chão-comum de partilha, aprendizagem e experimentação entre a teoria, a prática e a comunidade da arquitetura.
A partir de simples questões como “Quem somos? De onde vimos? Para onde vamos?” é orientada uma posição singular sobre a noção da sociedade onde participamos.