Citar

O que faz alguém citar alguém, seja obra ou autor? Porque nos reduzimos ao que aprendemos ou ao que sabemos que aprendemos porque alguém já validou? É importante refletir sobre o que alguém pensou, enumerou ou até citou de um outro alguém, por forma a manter uma linha de pensamento ativa e clara, mas, será essa a nova forma de pensar? Pensar a partir de algo pensado? É esse o modo de operar do futuro? Se depender da instituição, sim. Principalmente por conforto, mas também por mera praticalidade da produção de agentes de uma qualquer disciplina, sim.

Se sim, o que seria dos antigos. Aqueles clássicos que deram o passo do desconhecido, em direcção a nada em particular, que não a vontade única de pensar. Esses seres isentos da liberdade que vivemos hoje em dia, a que não me interessa em nada viver.

Achamos nós que somos livres quando afinal somos agrilhoados. E somos nós os carrascos dessa vida! Oprimidos pela miragem do espelho que nos reflete por obrigação.

Oprimidos não. Oprimimo-nos!

Somos feitos de uma matéria comprometida com uma fantasia, uma ilusão, a da liberdade. A que afinal não queremos, até porque não sabemos viver com ela. A liberdade não é uma condição que se adquire, mas antes um estado que se atinge e isso, paternalisticamente falando, exige tudo, repito, tudo! de nós. É como um casamento, onde a falta de cuidado, manutenção e evolução, faz colapsar a base indivisível desse compromisso definido pelas partes…

Interessa-nos assim, mais do que ser algo, parecer algo, de preferência único e diferente. No final, é tudo igual. É como se a sugestão de alguma coisa fosse o argumento de partida para qualquer hipótese de solução social. De que me interessa ser, quando posso só parecer? É mais simples assim, pelo menos para a maioria. Os outros, são artistas, revolucionários ou inconformados. São estes os que validam os outros e nada contra este eterno equilíbrio. Os 99% precisam desse 1% para existir nessa forma, validados entre si, pela sua maioria. Quem é que acha que este não é o maior elogio possível ao pressuposto do original? Quem acha que vale a pena, que é preciso sequer, sermos todos iguais?

Mesmo assim, continuamos a reivindicar a liberdade como algo pessoal. Achamos nós que o custo de não a ter é maior do que parecer não a ter, quando afinal, não sabemos muito bem o que ser, sequer. Oportunidades não faltam, e já nem sequer as desperdiçamos, porque nem sequer nos dedicamos, às tentar aproveitar.

Bom ano, mais um, do resto das vossas vidas, aquelas que seriam iguais à minha, não fosse eu existir.

— the monstruktor

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December 30, 2021


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