Naïf

A grande parte do design naïf é ingénuo e talvez seja por isso que resulta. É ingénuo porque é praticado por descomprometimento e puro prazer visual. Resulta porque a densidade é cíclica e traduz em moda a efemeridade da proposta. Em ambos os casos esta falácia propositada na tradução do conceito em termo próprio é uma mensagem também ela naïf, descomprometidamente exposta e que resulta bem em fonética, semântica e no ritmo do discurso.

Nada é acrescentado. Somente o tempo que levamos a ler este conjunto de signos é que pode de facto ser mensurado e traduzido em algo, seja perda seja ganho, mas medido. E por isso também é ingénuo que lê. Quem decidiu por bem, trazer para a sua vida a ocupação do tempo desnecessário. Filosofia, nem por isso, constatação, talvez.

Fazemos questão de ocupar o tempo com blocos de nada. Uns dedicam-se a entreter, outros a refutar perder esse tempo para banalidades e outros a escrever o que estás a ler. O interesse deste argumento não é distinguir, mas identificar a alternativa da própria hipótese inicial : até que ponto a ingenuidade faz parte da intenção clara da ingenuidade ou é apenas um movimento da massa comum, do coletivo temporário e cíclico purgante que se extingue assim que se produz?

Nem preciso responder, até porque mais uma vez não interessa o resultado (a mim) mas sim o ato reflexivo da minha própria ingenuidade. Repúdio a parte inocente deste termo pela sua simples e acrítica primitividade. Esta falta de sofisticação é ouro e por isso uma camada mais profunda do que intelectualidades avulsas e garantidamente cosmopolitas.

— the monstruktor

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July 9, 2020


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