aTinado

Alto, não exagerado, mas como se fosse fora da sua própria época. Uma voz grave exagerada, projectada talvez pela audição menos presente. Cabelo raro e feições marcadas a cinzel. Olhos escavados pela vida plena de experiências e feitos da cor da sua personalidade. Umas vezes, calmo, outras vezes, uma tempestade.

Sempre a pensar em construir, montar, destruir, desmontar, melhorar por vezes até, sem ser preciso mudar. Era assim que projetava as ações para tudo e era assim que acabavam os processos, em vícios de imaginar a nunca parar por nada.

Dono de coisas boas, com mais ou menos rodas, janelas, velas ou telas, é certo que não interessam mais agora, mas as que haviam, não serviam somente o ego, serviam também essa rosa de gente, que orientou pela vida fora.

Palavrões e tropeções, isso, sempre prontos a dar, distribuídos equitativamente, numa forma muito pouco democrática, de incluir toda a gente.

É assim o homem que conheço, a quem reconheço a parte que partilhou comigo, por isso não choro porque parte, mas celebro o seu novo começo, num horizonte de memória e muito apreço, um homem que eu também considerei amigo.

— the monstruktor

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December 2, 2019


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