Colectivo Plaka_PRÁTICAS PÓS-NOSTÁLGICAS

Carta de motivação

Externo

Falar do pós é em si uma imposição clara da prevalência do antes ( seja ele formulado pelo pré, pelo proto ou por outro qualquer prefixo temporal ) numa noção de tempo determinado somente pelo espaço intelectual do seu tema. Este limite, o da percepção, domina a prática. Refiro-me a esse antes, o que persiste na dúvida da melhor abordagem de entendimento a ter : seja porque transportamos o que sempre soubemos ou porque nunca inovamos verdadeiramente qualquer tema. O pós não pode ser assim mais do que um novo nada, dependente sempre da condição de incerteza que só a curiosidade e a exploração intencional de alguém, podem reabilitar do oblívio total.

Sem recurso à necrofilia, assumo que me interesso por esta matéria decomposta ( ou em constante processo de decomposição ) que é a leitura do tempo. Interesso-me pela textura dessas fibras batidas pela química da instituição, coloquiais e assim mais favoráveis à deglutição de grandes pedaços de conhecimento. Por experiência, proponho este consumo com o lubrificante adequado, na indexação etimológica e eminentemente em meio dominado pela semiótica, dessas materialidades epistemológicas. Não é obrigatório, mas em cursos como este é o que se espera : um especialista capaz de deglutir a putrefação endémica do meio de produção académico ocidental.

Este tema, se verdadeiramente trabalhado em grupo, que pela sua experiência, partilha o que tem/sabe/detém no presente do agora, pode desmaterializar o tempo do espaço que se propõe trabalhar. Tanto em curso como em oficina, faça-se Porto em Campanhã ( ou até campanha noutros portos como Gdansk ) e assim as não só parecenças nucleares serão expostas tanto quanto as diferenças de estilo, antropológicas e materiais do curso e dos seus participantes.

Interessa pois, ver e praticar a nostalgia da crítica, na partilha do que ainda não sei sobre um lugar. Acompanhado e acompanhando mais do que o óbvio, na sua transição do antes para um pós que merece ser criticado, pelo menos, quanto ao seu futuro.

Interno

A metodologia de trabalho proposta, a duração e a composição desse plano de trabalhos, o local e a potência do grupo, motivam-me na participação sacramental do tema e do lugar. Desde tempos que me inscrevo na topologia de Campanhã, cada vez mais próximo do problema e sempre na proposta de solução. Desde o curso que estudo, crítico e proponho solução para esta região. Planeio, projeto e estudo, participando e por vezes especulando, mas sempre consciente do potencial instalado e da forma potencial do resultado.

Derivo conscientemente de tema em tema, interpolando o que inusitadamente se sobrepõe pelo carácter essencial do território, na sua marca patrimonial e na sua génese industrial. Apelo a esta consciência e génio do lugar e ao que tudo isto significa para mim. Com a marca de autor reúno experiências variadas, desde a estratégia e criação em contexto patrimonial industrial ( C.E. Lionesa ) até ao plano e projeto da Fábrica e terrenos circundantes da Praça da Corujeira.

Detenho-me somente pelo sonho acordado em participar, na prosperidade deste velho novo lugar.

CV Abreviado
Porto, 1979
Autor polímata, também conhecido como MONSTRUKTOR.

Desenvolve atividades de explorador crítico, curador de pessoas e mentes, através do seu sistema original de pensamento estrutural, crítico analítico e autoral.

. formação em arquitetura FAAULP
. especialização em Património e Paisagem FAUP
. formação em técnicas avançadas de Captação de Vídeo ESAP
. especialização em Representações Desenho e Imagens do Território FBAUP
. interpola académica e profissionalmente, desde 2000 o design gráfico, web e produto em ambiente de estúdio criativo @ STUDIUM
. dirige a criação e estratégias de marca em agência @ AMMP marcas e gestão

ANETA SZYLAK, INÊS MOREIRA (Tutores)

28 de setembro a 4 de outubro Águas do Porto – Central Elevatória de Nova Sintra Com Anton Kats, Elena Lacruz, Jonas Žukauskas, Jorge Ricardo Pinto, Solvita Krese

— the monstruktor

Text

September 18, 2019


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