Brilho

Efetivamente o mundo não é literal. Nem na tolerância do que se relativiza diante dos meus anos, consigo abrir a mente para o que se demonstra ser uma forma de vida complexa, incompleta e definitivamente conspurcada, por um tumulto continuado há séculos.

Nem sei como, tanto como sei, como irá manter-se. Insustentável, isso sim, sei que é, e sem razão aparente para sobreviver a esta era de pontos brilhantes – os que ressaltam num novo iluminismo, determinista e puritano. São pontos isolados, visíveis, que brilham por momentos e de pontos isolados. São pontilhados que aceleram o ritmo da sua própria visibilidade e brilham, ora cada vez mais forte, mais tempo, em maior número e com mais frequência. Estão a crescer numa tentativa de sincronização, padronizando novas construções, mais complexas, garantidamente incompletas e ainda conspurcadas pelo ódio puro, que só a vontade de mudança ( necessária, sim ) desenfreada, pode alimentar.

Assim, não és tu que sabe o que fazer, sou eu que não quero acompanhar, assim. Acrescentar mais e mais e mais a tudo, não vai ajudar a olhar para uma vontade escatológica em prevalecer e evoluir.

Sem dominância que não a vida humana em forma humana e de presença social num coletivo de pontos individuais ( incomensurávelmente iguais em brilho, intensidade e frequência ) podemos de facto enveredar pelo caminho oposto.

Simplificar, estruturalmente, uma atitude crítica, construindo novos conteúdos, num processo de decisão individual e onde as regras do coletivo são somente a relatividade das boas práticas, comuns e universais.

É assim que olho este mundo que se condena diante dos meus olhos a mais uma era de destruição e pontos incrementais de brilho terminal. Que pena não pensar em uma catarse sincopada de um brilho comum, talvez pela presença de uma ausência, onde nem a intensidade nem a frequência e muito menos o ponto de onde se emana, são referenciais de evolução.

— the monstruktor