Matadouro

Afinal, quem mata quem?

Na discórdia da melhor governança possível, há entre a Câmara Municipal do Porto (CMP) e o Tribunal de Contas (TdC) uma desordem de opinião. Vemos por um lado, um projeto habilmente cabimentado, relevante e justificado pela amortização racional da decadência patrimonial de um local. Por outro lado, vemos um chumbo.

Esta é a posição de um(a) política(o) liberal, desde sempre no limbo compreensível entre a defesa do comum e a ativação económica da parceria. Relevante, autista ou não, é um ponto de ordem que só tem ressonância pelo seu próprio resultado histórico. Encontramos noutros tempos, alguns momentos assim, onde o Porto e a sua forma de fazer muito própria, se destacam na mudança de paradigma entre o instituído e a instituição. 

O TdC, ortodoxo e regimental, impõe de forma soberana, a defesa constitucional dos nossos interesses arbitrais, enquanto administra financeiramente contas e contadores de ordem pública.

Gosto de ambos, concordo com ambos e sugiro a ambos que se calem. Que se ouçam e ( terapeuticamente ) acordem o bem necessário, seja para o local, seja para as nossas gentes.

Se a publicação não foi no meio indicado, se não foi suficientemente abrangente, se o contrato se aproxima de uma PPP, se a Mota-Engil sabia e deixou andar, se, se, se… O que interessa não é apresentar um projeto mau, tanto quanto não é chumbar esse mesmo projeto. O que me interessa é comunicar, e nesse dialogo assumir um objetivo comum como sendo esse sim o único resultado final.

O que dirá disto quem passa por lá e vê tudo na mesma? Que opinião tem o grupo do café da paragem de autocarro e que, na onomatopeia do costume, acrescenta a palavra : “… politiqueiros …” No amplo estudo do local, reconheço o potencial que quero afirmar presente, mas também o leio complexo e fraturado, em terrenos de uns e lotes de outros, interesses de todos e lucro de ninguém.

A CMP pode e deve investir. As regras existem e os procedimentos são para se cumprir, sejam eles públicos e muito mais incluíndo os privados. O TdC é a instituição a consultar e o seu dever não é punir, é implementar.

Posto isto, ninguém mate ninguém, voltemos à mesa e perante esta situação extraordinária, vamos pensar no que o sítio e as gentes pensam desta classe que os desgoverna no tempo e no espaço. 

— the monstruktor

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February 6, 2019


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