Há um bicho que pulsa em besta e se amputa, sempre que o momento chega.
Este bicho gosta de bichos, pelos quais torce o mundo em treta só para assistir ao resultado.
O tom do bicho é abuso de forma, uma ordem de escama, pêlo e espinho, um circo de corno, espada, garra e dente. Mais forte que um tiro de canhão.
Tem todas as cores e de todas as formas só numa se revê, a luz.

E aqui chegamos já ao fim.

É exatamente neste momento pluri multi trans dimensional que o bicho vive. Na certeza do limbo, deste peso que arrasta humanos, até à liberdade que destrói deuses. É aqui que cessa a visão do homem, que cessa o concreto e avança este bicho, que nem vivo nem morto, reserva para ti esta passagem entre o aquém de uns e o além de todos.

O bicho é o que se mata para viver. És tu.