Nãos

Das coisas que aprendo na vida, as mais simples são as mais importantes.
Aprender a usar a palavra não é uma delas e parece um fato assumido, inato e aceite pelo seu uso.
Cedo ouvimos esta perfeita sintonia fonética como repúdio de uma acção que entendem não ser o nosso melhor juízo, intento ou discernimento, até porque, por essa idade não o temos. Cumprimos esse não. O não que nos é ensinado por base é um escudo de formação e mais tarde fazemos isso aos nossos. Muito bem.
O não seguinte é nosso. Rebelde, inconsequente, desenquadrado e até instigador. De nós, da família, dos amigos, enfim, de todos para todos e aceite assim. Numa altura de dúvidas e de crescimento aceleradamente hormonal, é um facto repudiarmos o desconhecido ou o conhecido para assumirmos o futuro, o nosso controlo. Muito bem, de novo.
O não seguinte não é nosso. É o não que damos a todos, não o queremos dizer mas passa rapidamente a interjeição de saudação, a inimaginável onomatopeia de modo, norma e estado. Medo, falta de confiança, insegurança, resignação, ou dependência levam nos “nãos” a falta do poder afirmativo. E é agora, na precisa altura em que a afirmação deve afirmar o indivíduo, quando mais negamos aos outros aquilo que nos foi dado a escolher, o sim.
Um não tem sempre um sim, basta ouvir, ver, sentir e interpretar onde ele está. Seja no espectro oposto, complementar, dissonante ou até contrário, encontramos sempre forma de o encontrar. Temos é que nos dedicar a esta busca. É difícil, subliminar, mas existe.

Eu renego os “nãos” terminais. Não aceito um não como não.
Sim, porque não me fico pelo não…

the MONSTRUKTOR

— the monstruktor

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March 12, 2015


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