Visão

O caminho que interpela o sonho não desagua em parte nenhuma.

Fatídica torrente de ambições, descuidadas de objecto na sua maioria, não assumem mais que a vontade de afirmar, estou aqui.

É neste desprezo popular e aceite de falsa ambição que se marca uma posição de matéria nos dias normais. Há quem se sinta completo só por apregoar ao vento livros e livros de pó. Há quem mudo, diga tudo que não era capaz de ler. Vejo isto, muito nos outros, mas também em mim, entre a realidade deduzida de noções, sinapses e contextos, que me fazem perfilar mais que o espelho, o que eles não sabem negar, e o que espreito para dentro na peculiaridade da observação e minúcia. Isto porque me interessa mais o que sinto existir no nada do que o que vejo.

Gosto mais do que gosto de assumir público e que sei existir em cada um de nós. Gosto e sei que eles também, dessa vontade de lembrar, recordar, voltar a ter na mão os minutos que nos fizeram heróis.

E então os cobardes?

Quem, os que não falam?

Não, os que nem sequer aceitam a certeza da escolha, os que seguem somente porque começaram a montante

É por isto que por muita chuva que faça valeta, não sabemos contar o vestígio de toda a água que passou. Não deixamos assumir que não se destrói o percurso, mas que demos direito á torrente que um dia tem que escrever um rio.

Só porque rasga, marca, remexe não temos que negar que é sempre novo. É bom renovar, construir, descobri e todavia o traço rasga sempre mais, e mais. Fundo. Largo. Descobre sempre virgem numa nova passagem. 

Mais do que voltar a repor o que erodiu, ou seguir incólume no fluxo de sedimentos, deixo sempre crescer em mim a vontade de ser rio. De brotar, de alguém, o que a pureza do ar conseguiu evaporar só para me permitir cair em terra.

Partículas que se testam numa eterna adição de matéria, onde a informação se junta a mim, pois de molécula em molécula sinto me condensado em força para começar. E a montante me deito, com a noção de onde vim porque a jusante hei-de saber muito mais de mim.

Nessa direcção turva o suficiente para manter o ânimo da surpresa, sei que se encontram as memórias que um dia terei para outros.

Não só minhas mas também, certas e gravadas pelo rio, num caminho que um dia a gota ousou lavrar.

the MONSTRUKTOR

— the monstruktor

Quote

April 27, 2014


FOR ANY QUESTIONS