Há dias onde o tempo em si fica confuso.
Por mais certo que seja, o tempo também tem dúvidas. Se há-de avançar inexoravelmente, derrotando a inércia de todos, ou se ficar para trás, onde ninguém o vai notar preguiçoso.
O tempo não é mais do que a medida do corpo, pois da mente ele não reza história. Por isso, na maior parte das vezes avança, só e vencido, num ritmo que não é sua lei. Mas de vez em quando, muda o passo e deixa alguns verem que o tempo afinal também tem um rei.
Eu sou esse rei, onde o tempo deposita a vista curta e atenta, fugaz e enfim voraz de um novo amo que o sabe ver.
Sentir. Ao tempo! Saber o seu sabor escorregar pela face do arrogante domínio da sua porção. Esculpir na sua linha uma nova medida de gente, que não sabe o tempo usar, nem o tempo sentir. O tempo é meu porque vejo, e apesar da idade hei-de continuar a ver melhor.

Saber o que o corpo sente,
depende muito do que ele não sabe aplaudir,
pois quando sente com tempo,
desliga a surpresa e desvanece,
veemente na vontade de sentir.

Neste coma consciente da maior parte, alguns refluxos podem avivar a memória, mas não deixam de trazer somente o sabor biliar de uma indisposição que reconhecemos ser nossa. De ser mais um ponto de onde o qual nem para dentro vemos.

Sentir é então a sensação de viver. Na pele, no osso, mais no músculo da mente do que quem sente somente por sentir.

Acordar e viver não é mais do que querer.
Sem precisar de olhos podemos ver com o olhar.
Só assim podemos acordar e ver, ver como é bom viver, a sentir.

the MONSTRUKTOR