Existo

Na terra da desilusão o meu caminho é só mais um.

Lá, nunca estou coberto pelo anonimato da multidão, mas os que vêem, e são alguns, unem-se na discórdia da derrota.

Há de tudo um pouco, mas sobram desesperados. Os que tentaram por todo o lado, que juraram ter certezas e não conseguiram vingar uma verdade que agora mente e se transforma em pesar. Luto. Choro e angústia por um lado do sonho que nunca souberam lidar. Nesta derrota são sugados pela corrente, mesmo depois de na crista efémera terem dominado a força natural. Lutam, e são arrastados, e alguns não voltam ao ar.

Há também os resignados. Os que subiram montanhas de sonhos que desapareceram no seu próprio despertar. Os mesmos que desceram com calma para a vida, num novo ritmo, aceite, que nunca ousaram desafiar. Por educação, dogma, preconceito ou pura inteligência, seguem pisadas confortáveis de uma vida aceite como tal. Sem mais, com tudo. Felizes num novo sonho, mais real.

Há ainda os que ainda têm esperança. De voltar, de nunca acordar, ou somente manter viva a chama que cheira a miragem. A mesma que os levou a sonhar. A mesma que os permite sonhar. Como nada os demove da vida, acreditam no sonho. São verdadeiros deuses que habitam nas profundas grutas da renúncia, do escuro que afasta a luz do dia pela vitória da alegria escura e voraz. A que destrói aos poucos sem nada deixar para trás. Até lá, vivem, inebriados pela fantasia da vitória.

Por fim existo.

O ser anómalo que detecta no sabor do sangue o medo da vida desperta, que os outros recusam aceitar.

Nefasto pela consciência de mim, acordado na mais sentida percussão da descoberta, feita ritmo pelo ciclo interminável da renovação, desvendo o meu empenho solícito e altivo, altruísta sem senão, e assim sou um marco indelével na vida comum de quem se permite parar e perceber que de mim se constroem as filas de desesperados que aguardam o seu lugar.

Enfim, paro e penso se serei capaz, de continuar voraz, de saber por onde andar, sem esquecer e escolher, e quando devo somente olhar para trás.

the MONSTRUKTOR

— the monstruktor

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April 1, 2014


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