De certo que não serei diferente, e por isso tento pensar em algo tão semelhante.

Só assim posso evitar ser um velho queixoso e derrotado, com tanto pesar que carrego nas sombras dos olhos.

Mesmo ouvindo de mim o que sei ser capaz, resisto à dúvida de um controlo maior, dobrado nas costas do meu legado.

Mesmo dominando o dia, a cada dia que vem, há sempre uma forma do tempo nos invadir e ganhar a tutela, um pensamento de cada vez.

É impossível não pensar, que tudo o que somos, há-de sempre mudar.

Tenho melhor a noção do tempo que demora uma montra a desenhar um reflexo de mim.

É isto que nos pedimos quando nascemos, ter a noção do tempo, principalmente quando morremos.

November 1, 2022

A primeira premissa de um compromisso é a professa vontade em prometer.

Como em todos os compromissos existem duas partes indissociáveis como integrantes do pacto a relacionar: o emissor e o recetor. Antes de mais, convém esclarecer que o emissor é efetivamente possível enquadrar como uma entidade, e por isso, pode ser relativo a um agente individual ou coletivo, pode ainda ser pessoal ou institucional. O recetor é mais ou menos abstrato, relativo à sua própria posição perante o emissor. Pode até ser uma corrente de pensamento.

Podemos descrever assim o emissor a partir do seu enquadramento e de acordo com algumas variáveis.

Podemos começar pela menos óbvia, onde o emissor é ao mesmo tempo recetor. A mensagem premissa é transportada do indivíduo para ele próprio, o mesmo indivíduo, relacionado portanto e somente o seu corpo intelectual íntimo. Podemos ainda refletir sobre o facto deste compromisso ser mantido ora privado ora público, o que por si, afeta a leitura, interior e exterior do compromisso, em múltiplas frentes de análise.

Quando o emissor se dirige ao recetor, num canal direto e identificável, encontramos o que parece ser, na maioria dos casos, a principal forma de estabelecer compromisso. Este segundo tipo é mais fácil de reconhecer, até pela prática individual da maioria de uma qualquer comunidade, principalmente religiosa. A comunidade social, assente nas premissas políticas de relação de premissas com estrato, estatuto e poder, é o exemplo maior deste caso: eu comunico, tu reconheces, há possibilidade de acordo e como tal, um perfeito compromisso tácito. Se estas regras não são seguidas há conflito e a suspensão do compromisso social, seja ele cultural ou somente ético.

Éxiste ainda um terceiro tipo (e deixemos a contagem por aqui, para já) onde a inversão da direção da premissa comunicação, se transforma quase numa falácia, e se inverte: o recetor exige um compromisso do emissor (transformando-se assim num emissor?). A inversão sugere ainda que as regras binárias de partida e chegada estão ausentes e em sua vez podemos não só encontrar o compromisso do emissor pela posição e consequentemente mensagem subliminar do receptor como também, a omnidirecionalidade de uma nova forma de mensagem, comunicação e compromisso. Imaginemos um político, que pretende levar a cabo uma decisão, sabendo de antemão sem emitir a sua mensagem, que a receção da mesma tem uma provável reação. Esta influência clara da mensagem, sem sequer ser proferida uma relação clássica de canal, emissor, receptor, tempo, permite mediar compromissos com uma mestria intemporal agindo diretamente como professa vontade em prometer.

Vamos aos exemplos: eu quero comprometer algo em mim (sem nunca influenciar a minha relação com outros); eu quero prometer algo a alguém (porque o haveria de fazer se não a mim próprio primeiro); eu exijo uma promessa implícita (sem que seja explicitamente professa a minha vontade e compromisso).

Este é o tipo de promessa a cumprir? Parece que sim, pois as bases da sociedade contemporânea têm como agregador a capacidade de prometer entre os seus elementos.

Esta é a promessa que não consigo fazer: saber como prometer algo a quem quer que seja, com a certeza de não a cumprir. Não porque não a tenha como certeza mas porque a simplicidade desse compromisso evita a nossa relação com o tempo da nossa mudança e a nossa evolução intelectual.

A promessa é sempre melhor vivida como princípio,uma membrana entre órgãos sem moralismos, e só dependente da nossa forma de aceitar como viver.

November 1, 2022

Fico embevecido com as proezas dos outros, sem que isso me diga quem sou, tão só que essa inveja não se explica, celebras-se.

October 10, 2022

My Zeitgeist, a spirit of the time, my time, is but a ghost.

Some parts of it are made of an intended legacy while others of unexpected heritage but all, are building blocks to the present.

Through me, they become what once were, and are processed as such, somehow innocuous and extinct.

Filtered by my pleura, they enter a gaseous state, unaffected in ambient temperature, ready to be taken by some, as if they are their first gulf of air.

These are the parts of the spectrum I’m building to all.

October 10, 2022

Quando a memória causa angústia passa a remorso e isso altera a essência do passado num futuro nada feliz.

October 8, 2022

Tudo o que fazemos só acontece uma vez.

October 8, 2022

Preciso de me afastar de mim para saber quem quero ser.

October 6, 2022

Sinto-me perdido e até desorientado quando provoco a minha ausência.

October 6, 2022

O mundo é perfeito, até porque se não fosse, iriamos querer o contrário.

October 4, 2022

Observations urge me to relate perceived time with entente.

October 4, 2022

I live my life knowingly absent of pleasure.

Commitment replaced the most elementary definition of pleasure and inversely evolved the sense of autonomy and responsibility.

I don’t find pleasure in dragging my feet coming out of a bus while thinking about the indulgence waiting for me at home.

I don’t find pleasure driving a cabriolet in the most beautiful road towards a new restaurant.

I find pleasure in controlling the urge to have pleasure in life as a cultural concept.

I find pleasure in pleasure itself, and that’s why I am what I care about.

September 25, 2022

When reading is the manifestation of the power of knowledge, writing is the application of a summoning choice for power.

Power is the ability to influence other’s people behaviour and understanding of cultural and social relations through politics.

Power is neutral in its essence and changed only because the organic structure of meaning, depends on human dynamics.

September 24, 2022

Ao julgar os outros à nossa imagem, estamos a evitar conhecê-los.

September 23, 2022

Who, has put me in charge? My anger did and then, calm and a vision took over. Now, it’s just the fulfilment of a specific order, my own.

September 22, 2022

O que faz um fio de cabelo solto no meio de tantas pessoas?

Será que alguém repara, ou é só o vento que sabe o que faz?

Nem pensar na forma nem no percurso, pois um fio de cabelo será sempre um fio, de cabelo.

Interessa de quem? Ou só de onde veio?

Nem isso, só o que faz solto no meio de tanta gente.

September 21, 2022

The highest power of a memory is forgetness. Immediate and absolute, it obliviates enduring lifes through trauma.

September 21, 2022

Penso no que seria a minha vida se ela fosse como a imaginara.

September 19, 2022

Quanto mais me tentam perceber mais se confundem.

September 16, 2022

Tem dias em que me apetece aprender todas as palavras do dicionário, só para poder explicar melhor que também eu, não sei nada.

September 15, 2022

O dia de um sol, bem escrito por entre as linhas de tantas surpresas. O dia de uma presença nunca anunciada.

Um acaso pensado para ser especial, a quem nunca deixará de o ser, e no entanto só isso, uma simples vontade de estar.

Um passeio por entre livros e árvores, no seio de tantas pessoas, interessadas em saber o que saber mais.

Tinha consigo uma Margarida, bem florida e dedicada ao sol desse dia. Nunca murcha, espevitada e também ela, feliz.

Um último passeio, dedicado a escolher outros sonhos, por entre os pequenos mistérios das folhas por abrir.

Uma memória por partir.

O dia de um homem feliz, que nunca deixará de o ser.

September 14, 2022