Momentos, sublimes. A beleza do momento como o momento de si mesmo. A forma como há quem se atreve a ver tanto em tão pouco. Esse pouco que é demasiado em tantos que nos rodeiam. Que medo, não existem nem demónios, nem fantasmas, seja de nós próprios, até que nós próprios, os invocamos, incitamos até, ao nascimento.

Depois tudo acaba e a beleza que sempre foge, escapa-se. Definitivamente.

Corre.

October 21, 2021

A evolução é um mecanismo de sofisticação. Quão avançada nos demonstra a real crueza da nossa existência.

Deixemo-nos de apreciar a arte, a cultura, esse espaço temporal da história.

Vivamos da degradante política da ética ausente e da virtuosa forma de destruir tudo, a partir do todo incompleto de cada um de nós.

October 17, 2021

O futuro é com certeza ausente de pensamentos cartesianos.

Como no momento em que compreendes que o homem que suspiras ser e o homem que és convergiram num espectro de uma possível presença humana, sem forma.

Por isso, tudo no legado é a ponte para o todo análogo, seja ele biologia ou filosofias diversas.

October 11, 2021

We feel the urge to communicate. It gets larger everyday. In that process we tend to transmit unique anthropological concepts, using generalisation tools, as languages and words. Each individual culture is built upon specific semantics. We are “losing” it, quantumly, bit by bit, without even noticing the scale of loss. The unstoppable force of universalisation of knowledge leads me to write these words in English. Imagine what we may be doing without knowing. Bad, wrong, wright, good, it doesn’t matter. This entangled predicament continues to thrive in my mind.

Universal symbols are becoming less questioned by the 99%. A book, an appliance, a house, a street, a government, a practice, a border, a sea, a planet, a light, a fire.

September 26, 2021

Blue is stable, throughout the day, the year and before every submission to light.

This is the colour of truth, of magnanimity and, of the correct balance between benevolence and discipline just as the world condones.

My blue is affected by my black. It’s something that I control and impose to the way I want people to know how I am able to live and train, to die. This is my tool to shift between the states of human consequence and those of an utterly undimensional scale.

In this medium I thrive, and through thought, perception and observation I create an object, that while absent of a real definition, keeps appearing in all the episodes of the narrative. This token, is not real. This is not a key, a tool. It’s a process of continuous construction. Critical and conscious. It ignites concepts, contemplations and creates life, intrinsically linked to death.

The concept of death is somehow conditioned by the concept of mortality and, both seem to direct our understanding to the physical end. The end of the body, the end of the presence. My blue dimensions keep me focused on the process of production, the one who is related to live learning how to die and to a definitive ambition of eternity.

How can we compare, then? How can we talk about and for the same predicaments of reality and sociality? How can we be equal in the seized opportunities to prevail, prosper and maintain continuity beyond the supposed end?

No religion can gives us answers. Not a single doctrine, definition or miraculous motivation. Just life. Life lived with the responsability of a never ending cycle of energy.

My cycle is blue. Stranded in time and space by the contemplations of a simple self.

September 12, 2021

A perda é dor? Porquê? Talvez porque não sabemos designá-la de outra forma, ou então é mesmo isso, dor. E se essa dor for como o amor: um sentimento genérico, proposto na convergência de emoções, próspero na sobreposição de estados ilusórios?

A dor da perda é real. Perder é real. Deixar de ter. Mas ter algo é diferente de ter alguém. Mesmo assim, na sua maioria, perder alguém significa que ancoramos a nossa dor no sentimento de posse ou propriedade dessa perda. Talvez seja isso que perdemos: o direito declamado de limitar o uso a alguém que tem algo nosso, e nós, algo desse alguém.

Esta manifestação da posse sentimental ou emocional é demasiado primitiva para ser entendida e aceite nos dias que correm… Baseia-se na dor, a forma mais primária de sentir, inibir, limitar, controlar, dominar, etc. que podemos reconhecer como ferramenta de uso do poder e posse. E é assim que queremos aceitar a perda? Com este tipo de dor?

Sou um insensível. Perder um ente querido é doloroso. Sentir a sua ausência no imediato não se compara sequer com a realidade do futuro, onde a amplificação da distância no tempo da perda só pode crescer.

Cala-te. Já viste bem o que é sentir a dor da perda décadas a fio?

Sem impor, quero assumir que há outras formas de sentir a perda, a ausência e a distância no tempo, pela falta de alguém.

Começa pela perda. Nunca perderei ninguém. O seu corpo, sim. A sua presença, não.

A ausência, depende da forma como a companhia se proporcionou, pois uma relação convivial pode ser também procedural. Como aquelas pessoas que completam as frases umas das outras por tão bem se conhecerem no tempo que tiveram juntas. Lembro-me e crio, ensinamentos partilhados por e com, pessoas ausentes, como se estivessem ao meu lado.

A distância depende da escala e da direção que lhe queremos aplicar. O tempo que passou desde, ou o tempo que passa enquanto, são conceitos básicos que podem ser relativos à dor. Uma perda de 20 anos pode ser entendida como completamente diferente de uma perda de 02 meses e nenhuma tem prevalência sobre outra qualquer. A nossa incapacidade em processar o tempo dessa distância, sim.

Perder alguém significa que algo é mau, porque o sentimento resultante é a dor. E se em vez da perda, a tristeza que nos invade pelo fim físico de alguém, fosse substituída pela celebração da sua vida, das suas experiências, e do seu legado herdado em nós?

Há povos que celebram a morte, discutem a ausência de forma diferente, e festejam esse fim carnal. Mas, na verdade, substituem a existência da realidade atual por uma outra, consecutiva a esta, apoiada numa mitologia qualquer, mais apropriada a este medo que nos invade e se coliga, numa única forma coletiva de ser humano.

Se há quem sofra, quem celebre, quem pare e quem avance, com tantos exemplos da forma, talvez assim se explique melhor porque sentimos a dor na perda. O que sentimos é o presságio, o futuro, numa mensagem clara e inquestionável, irrefutável e universal: também nós vamos deixar este corpo. E isso é inegociável com o instinto diário da sobrevivência.

A diferença está em quem transforma a sobrevivência em vivência e constrói o seu futuro estado de ausência, distância e perda implícita. Em quem vive a aprender a morrer.

September 10, 2021

A promise appears with life.

A breathe, then another and a loop emerges. Bounded to me, to the archaic assumptions of existence and of that possible greatness, we are defeated by a thought alone.

Sadness is the exchange we carry deep within our organs – as if air is not enough. Happiness completes the exchange system of demise – sealed inside our vascular psyche.

Still, as ignorance, as a statue, as all the symbols we follow onto a lost fray. A battle won from the losses of others. Still, we carry our self into those paradises. A sanatorium is built around us.

I’m not a warrior. I am war itself. Not fear, but fear as I am; a bearer of everything possible and, the outcome of fury and struggle. I chose to choose a side and this changes your expectation of rage. I can, as your reality, experience the observation of perception.

I was only flesh. I am not a whisperer. I will never be a human.

I am, yet a spiritum.

And so we bond, beyond the understanding of this world, unstill, until the strengths of this physical time and land.

Nothing more. Nothing. More. And death will carry the story above the ground I refuse to face.

September 7, 2021

We keep missing the opportunity to reconfigure our entire life, specifically the part connected with the way we spend our time alone.

September 7, 2021

I used to waste my time… I never had time… I have no time, to regret. I cannot live thinking about what I could have been, or how could things have been done.

Instead, I chose to be how I am today and I keep choosing this way everyday. Regret anchors you to the lowest possible outcome of any expectation you may consider as an alternative to an honest, humble and fulfilling life.

Considering the result of our decisions is a process of the utter most importance and is directly connected to the evidence of time. The closest and prior to the ignition point the better, as if it ignites past the moment of that specific action, it will be considered for sure, as regret. It’s critical to have an equilibrium about this proportion of before and after “the decision” as this tipping point can unbalance the process of self awareness, social relations and personal autonomy.

Don’t over rationalise and don’t neglect it either. Live thinking about you. Focus on ideas, people and events and deny conversations about anything except truth.

You will not regret it.

September 4, 2021

The perception can radicaly change from a different consideration and point of view but ( and there’s a big one ) I consider everyone’s jobs as essential.

The bin collector, the health worker, public servants, lawyers, economists, everyone, can have an essential part in our observation of a socially impactful job. But, ( and here comes the big one ) , people consider only the classification of that specific job while forget to consider the process embedded in course of the activity itself.

A profession and title needs to be more than only the surface of what is expected and still, we tend to oversimplify the importance of being accurate in our presumptions of the term essential. Take the global pandemic as an example, and we can for sure agree on what could be a superfluous activity and what was indispensable from our daily struggle to cope or even survive altogether.

My perception shows me how wrong we are: while I consider public health and adjacent services as essential during extremely uncertain times, I observed influencers on the rise and media consumption went abnormally high. And then there’s publicity, news and public announcements! Entertainment is in fact the self lobotomy of our times and is being delivery over the air…

Let’s put it this way: I know everything is relative and we shouldn’t impose anything to anybody but, respectfully, you are being pretty ignorant on this one if you don’t start purging current social affairs from your “timeline” and accept you instead live in a “lifeline” made of every essential molecule of our existence.

August 30, 2021

Money is the most accepted currency and happiness is the only possible state of mind.

Well then, let’s happiness be bought!

I’m sure by now people can recognise that “the life” they are living is directly connected to suppressed emotions, and fantasious events. People aspire to live in perfect scenarios, where nothing contradicts the reality of a real life. Everybody is happy, everything is the best possible, everywhere is the most exclusive and original. Entire families are painted masterpieces of canonical perfection.

These people, places and faces ( going Agnès Varda on the topic ) don’t exist.

I repeat: these people, places and faces don’t exist. This contagious way of seeing the world through the screen of a never ending happiness fantasy is not real!

Why? Because we do not erradicate parts of the human natural emotional habitat without acknowledging the consequences of the newly established unbalanced ecosystem. We are not acknowledging the lack of sustainability in training, experience and education people suffer from in this new setting of possible cultural standards. We cannot avoid anthropological arguments our ancestors carried through cultural space-time relating their habits with individual characters, collective environments and social relations.

I can understand the temptation of this life style but we are not even close to being ready for the demands ( and to a certain point the nobility ) this way of existence expects from us. I can see a real world where happiness prevails and money is not an obstacle but everything else should exist also. Sadness, melancholia, mourning, introspection are all possible too, because humans are free to feel them and no-one should impose the lack of that to anyone…

August 29, 2021

É possível mostrar a paz, a ordem e a participação pela beleza, pela contemplação e pela simples presença do indivíduo.

Na posição mais simples de um indivíduo perante todos os outros, podemos encontrar, o que podemos idealizar, ser a escala de um suprimento. A vontade individual é sempre o fator de posição individual e nunca deveria ser questionada a liberdade de escolha das coordenadas de cada um de nós. No entanto, consecutivamente, prevalece uma vontade coletiva universal em achar que falta algo aos outros para estarem naquilo que consideramos o nosso “bem”. O problema começa exatamente aqui : em porque devemos presumir que a vontade individual, na posição individual, é a falta de algo?

Se continuamos a achar que o standard é o nosso, o melhor, ou até o universal, vamos com certeza impor a esse mesmo indivíduo algo que o pode radicalizar a si próprio!

Imagine-se alguém que não concorda com algo. Pois bem, respeite-se a sua opinião, quer se aceite ou não a sua posição. O problema em relativizar as escolhas dos outros está novamente na forma como as sociedades se organizaram desde sempre, propondo identificadores comuns que se transformaram em rituais de pertença, o que levou a aceitação de standards como fatores de classificação e avaliação do indivíduo. Se não há um reconhecimento do indivíduo no coletivo este não nos pertence. Se o indivíduo quer pertencer há exigências de base para a sua avaliação.

Podemos discutir a segurança ( a desse indivíduo e a de todos os outros caso a sua posição seja agressiva ) mas mesmo assim a força da autoridade e do poder judicial ao punir, vai com fracas chances de reabilitar, e o problema de base mantém-se : é imposta uma posição que não a individual.

Outro exemplo, pode ser o de ensinar uma criança a usar uma bicicleta, o que implica um humano capaz de informar a função correta e não a forma da competência mecânica motriz. A técnica é uma competência adquirida pela destreza e como tal independente de um racional individual, onde a “prática” da atividade exige uma posição do indivíduo perante os outros. Posso até ir mais longe e afirmar que de nada servem as regras de trânsito implícitas na competência da atividade, se a criança não se sabe contextualizar perante o seu cumprimento e em alguns casos a sua correta manipulação. Pernicioso, eu sei, mas a diferença entre um humano passivo e cumpridor e um ser ativo e possivelmente manipulador.

Os valores mais elementares da nossa existência foram evoluindo de algo orgânico, procedural e estranhamente universal ( mesmo em extremos do planeta há paralelismos nas civilizações mais relatadas ) para algoritmos antropológicos rígidos e extremamente condicionantes. O uso do telemóvel é o exemplo mais recente desta forma de estabilização na sociedade pelos valores mais interessantes a promover por entidades a quem não interessa a posição individual mas a massa coletiva social, dócil e conformada. O telemóvel é o veículo, a ferramenta e a manifestação da dependência clara de entidades normalizadoras que suprem a necessidade da posição individual com propostas de posição coletiva.

A maioria prevalece neste estado débil, atrofiante e decadente. Vivem na pútrida conquista dos outros e chafurdam felizes com isso nas suas vidas ausentes.

A apatia dos resignados é pois consternante. As oportunidades perdidas seguem-se imediatamente a qualquer tentativa de manter o estado das coisas no conforto do passado. O futuro fica condicionado ao acaso, ou à força da imposição de algo novo, nem sempre melhor.

Capitalismo, socialismo, e outros ismos que tais, trouxeram a obrigação coletiva para o dia a dia da mediocridade, sem que com isso, aproveitassem a posição individual como a alavanca para o progresso, a prosperidade e a evolução da cultura humana. Duvido até que se mantenha equilibrada a relação das pessoas com os seus objetos, implicando desta forma uma subserviência do ser à tecnologia inimaginável até há bem poucos anos atrás. Mesmo no início da industrialização, o bucólico, a nostalgia e a própria interpretação da vida podiam ser relacionadas com a forma como o indivíduo queria participar do prosperidade económica comum ( apesar de rapidamente convencidos do contrário pelos valores económicos das sociedades ocidentais ). Era interessante ver a deslocação individual para o local coletivo na tentativa de participar na construção de uma vida melhor, e nós como oportunistas que somos, perdemos todas as possíveis em melhorar efetivamente a linha da história.

Será mesmo que sim? Será que a minha expetativa do melhor é de tal ordem contaminada com uma visão fantasiada do bem, que me esqueço que há perda, fracasso e sofrimento em tudo que nos rodeia? Será que estou mais uma vez a contemplar o universo perfeito e erro como todos antes de mim? É fácil justificar o estado das coisas com analogias naturais, com utopias e fantasias literárias, dramáticas e até litúrgicas, mas relativizar e aceitar tudo? Nem pensar!

Consigo, tal como vem sendo provado pelos eruditos clássicos, extrapolar desde a minha excentricidade um conjunto de argumentos e coordenadas que serão considerados basilares, muito antes de uma carta universal dos direitos humanos. É possível encontrar este código em cada um de nós, só temos que melhorar o acesso e praticar a norma.

Praticar a “norma”, e voltamos à estaca zero…! Ao zero não, mas a hipótese de reset, de reposicionamento, de repensar caso a caso, é algo que nos foge sempre que é preciso que alguém escreva sobre a mais elementar premissa da nossa existência: o indivíduo.

August 27, 2021

O amor é uma desculpa filosófica: há quem saiba como se traduz e há quem viva num conceito banal. De todos os tipos manifestados em texto e imagem só um me deixa curioso ( além dos constantes ensaios sobre a sua possível tradução ) e ainda hoje me leva tempo a enquadrar o cenário: o amor pa/maternal.

Será mesmo “amor”, tanto quanto uma gata cuida das suas crias? Será responsabilidade, preservação e continuidade, mascarados das formas mais humanas possíveis, com narrativas emocionais de apego e carinho misturadas com a realidade da sobrevivência? Será que assim, racionalizando a ligação familiar direta, se explica porque há relações familiares falhadas?

Em todos os outros “tipos” há uma racionalidade implícita, imposta, traumática ou de grande desejo, mas na relações dos progenitores com a prole, o tema vai além do comportamento imposto/proposto.

Começa pela própria relação dos progenitores, onde o cenário é cada vez mais abrangente e sugestivo, dentro dos limites da procriação e da criação de um ambiente familiar, o que implica uma posição cada vez mais ampla para a condução de uma família além do ímpeto da procriação.

Talvez puro egoísmo, ou até puro altruísmo, ainda não me decidi… nem tenho que o fazer! Cada um faz o que a sociedade permite, pela sua própria interpretação da relação biológica entre a vontade pessoal em querer ter descendência e a missão biológica reprodutiva. Reproduzir é para mim um termo odioso, onde por definição existe uma tentativa de impor um feitio desde a base. Até se buscam parecenças! E que as há, há, mas daí a serem procuradas como sinal de sucesso… Há ainda quem o faça por acolhimento, entrando no espectro do altruísmo pela beneficência, solidariedade e humanidade. Quem o faz teologicamente pode ou não ser sucedido.

Então, em que penso quando penso no amor? Penso na beleza do seu silêncio. Deixo-me inundar pela sua presença e não o tento explicar. Evito até pensar e sigo o caminho proposto até ao céu mais próximo… Pois… Isto é exatamente o que não faço em todas as minhas experiências com expetativa de definição do termo amor…

Talvez um filho mude a minha visão do tal amor, mas até lá, reproduzir é uma responsabilidade que terei somente em preparar-me para acolher a nossa decisão, até porque não estou sozinho nesta equação!

August 26, 2021

Ter que dizer que se gosta, é ter que aprender a gostar. Apreciar o que se gosta é sempre muito melhor quando não exige algo público. Sem serem precisos segredos mas também, sem nada menos do que essa cumplicidade natural que nutre uma relação com esse tipo de gostar.

August 22, 2021

I

O Porto é alto, mas habitou-se a viver da baixa. Do centro, da praça, da avenida, do evento. Este local mais propício, era até à pouco tempo a única forma que o Porto tinha de se ver a si. Quase se pode pensar que não havia mais nada em redor, que a cidade era aquele local obrigatório, para onde se apontava quando se queria “… ir ao Porto“.

Quem lá estava, sabia que não era assim: sabia que haviam bairros e locais, zonas e outros sítios que tais, meandros e uma cidade inteira em redor mas talvez, a passar uma fase atípica – para cidade está claro. Entretanto, tudo isso mudou, tudo, exceto a visão das gentes de sempre, essa ficou. A que mais interessava passar, e passar para as gentes de fora, sim, avançou. Foi decidido e o Porto deserto do pico dos 90 deu lugar a uma cidade conhecida, rejuvenescida, oportunista e mais aberta à que se sabia até, de si mesma.

O Porto cresceu para fora da baixa mas ainda não se assumiu totalmente assim. Começou por abrir o milénio a apostar numa reformulação do seu desenho de rua, da sua praça e até a abusar do seu próprio material fundacional. Caiu no tema do ícone, e foi atrás da estrela que trazia muita dívida. Deste Porto 2001 só sobra a Casa da Música para muita gente, mas é preciso reconhecer que o ímpeto de mudança e a vontade portuense foi orgulhosamente posta a nu. Na década de 10, com todas as políticas e contas que se seguiram ( e quase até aos dias de hoje ), os verbos planear, investir e comunicar foram os escolhidos para ser mais fácil outro verbo, reabilitar. Foi assim que eixos programáticos como as indústrias criativas e o turismo, como a fixação de empresas ligadas aos serviços e dedicadas a estabilizar a ponte com o sector produtivo da região norte, foram o motor desta nova máquina de mostrar a cidade. A cultura, na forma particular de aceitar uma visão global, integradora e potencial, foi a lubrificação necessária e assim prevaleceu.

O que vemos por agora já não é evolução, é um ponto de grande mudança. Para mim é visível quase ao ponto de uma revolução, ( bem necessária digo eu ), e da qual podemos realmente aproveitar o ímpeto. Nem todos gostam do termo, eu percebo a nostalgia, mas a ontologia que proponho é sempre a da noção pacifista da definição e perfeitamente ao alcance de todos. Revolução é o que falta, e foi o que faltou fazer até aqui, mas o tempo é agora.

Então como posso aludir ao que foi feito e achar que foi por bem e agora querer revolucionar tudo isso de novo? Por contradição, oposição, escárnio? Nada disso, tudo tem o seu contexto e o meu respeito pelo que foi bem feito e devidamente implementado, mantém-se. O resto, repudio pelos canais oficiais, os institucionais e devidamente intitulados. No Porto, desde que estejam sempre bem feitas as contas o assunto tem gente. O resto é perder tempo. Comigo também é assim. Zás.

Pontos certos, avanço para este tempo revigorado da “revolução”. Revolucionar e evoluir são termos semelhantes, não são idênticos mas ambos demostram movimento. Isso por si só interessa-me, em como evoluir de novo a visão que temos desta cidade, agora com a intensidade de uma revolução. Muito se fala em mudar mas isso não chega, precisamos certamente de um placebo mais forte, quem sabe, até de um simples ato de coragem que nos dê a certeza e nos dê massa crítica coesa na progressão.

II

O Porto alto é o porto das torres, das encostas, dos miradouros e das pontes. Esta, é a cota do Porto que vemos de cima ao aterrar, que vemos rasante quando entramos por uma qualquer ponte. É uma visão que ainda não tem baixa e que muitos procuram alcançar, e é fácil perceber porque tantos a querem ter. É assim que se vê a majestosa elegância de um rio, que em tanto tempo ousou desenhar as margens perfeitas, só para o homem se deter a ver como ele encontra o mar. Este Porto ainda está por mostrar e só precisa de ajuda para se permitir descobrir mas, é bom pensar em como é que a cidade inteira se pode abrir. A cidade não precisa de mais limites, condições ou barreiras, mas de um nova linha, fluída, que dança com a fenda cravada pela água, que ora divide o pessimismo ou une os otimistas.

Sortudos os pássaros, que chegam do mar com o sol por trás. Trazem consigo a maresia e a vista da ponte. Com a Afurada numa asa entram pela Arrábida de rompante. Seguem Massarelos até onde a Alfândega se postra calma e dominante, e atracam em Miragaia já com a vista nos rabelos parados no cais de lá. Afinal, há mais uma, enquadrada com outra ainda mais, e há mais! Dom Luís e Infante são o panorama interior desta entrada no Douro, onde (ainda) a pacata Dona Maria se mostra aos poucos, alta, no pilar. Há planos para mais uma baixa, antes de encontrarmos a última, mas esta história ainda está por contar. Por agora do Areinho olhamos para o Freixo, e sentimos o peso a flectir sobre a maior, a de São João, onde o voo de quem chega é alto e ritmado a ferro pelo caminho a ganhar.

Esta alusão a rotas e percursos, guias e outros enfeites turísticos à parte, é pobre, mas é de onde partimos para podermos falar sobre cotas e circuitos possíveis de criar. Há diversas oportunidades por aproveitar, por explorar e que o raciocínio urbanístico e paisagístico tem que saber criar. A mobilidade é uma realidade em franca definição no território da cidade e merece o seu devido valor reconhecido na imagem da cidade e no conforto dos seus habitantes.

Território paisagem, sim mas património também é vista, percurso e deambulação. São por consequência história que se percorre, exaltando ponto a ponto os diferentes tempos, os diferentes símbolos do orgulho, da cidade e da região, e aqui, podemos afirmar a tal sustentabilidade do amanhã : o turismo dos bares e dos hotéis pode ser copiado em qualquer ponto do mundo mas o genius loci permanece intocável, sem hipótese de replicação.

III

Duas novas pontes, uma alta e uma baixa. Vão ajudar na circulação entre cotas do rio e das encostas, mas não são por si a solução definitiva para a ligação entre dois territórios que mais do que se completam, estão em constante competição.

A ponte automóvel ( baixa, junto ao Areinho ) pode equilibrar a ligação da cota peão ao território a sul e assim fazer tanto pelo trânsito como pela transição para uma cidade sem carros. Os pontos de deambulação, vista e interesse patrimonial são suficientes para que ( até pela enquadramento solar favorável ) se possa olhar para as encostas norte e para toda a sua história marcada na pedra. Surge assim a oportunidade da recuperação das encostas das Fontaínhas, da ponte D. Maria, do corredor ciclavel da linha da Alfândega, e outras hipóteses de derivas menos conhecidas mas facilmente sinalizáveis. Este percurso, até agora sem possibilidade de loop, vai criar o primeiro anel de vistas patrimonial do Porto e Gaia e devia ser sinalizado imediatamente. A possibilidade de ligar o território entre cotas, com suavidade e mobilidade pedonal é um exercício de futuro para a deambulação segura, saudável e sustentável da(s) cidade(s).

A ponte do metro ( alta, junto a Massarelos ) é isso mesmo, uma ponte dedicada ao metro. Espero que tenha perfil misto, com aproveitamento pedonal e ciclovia, por forma a fechar o loop suave acima descrito. No entanto, é importante perceber que o mais importante nesta ponte é a possibilidade de assumir a cota alta do Porto, como uma continuidade da cidade da Baixa. É a cota que falta desenvolver apesar dos esforços de dispersão de interesses ( principalmente culturais ) pelos territórios próximos do centro.

Símbolos como os de 90, tentam impingir a sua validade atrativa além da sua relevância cultural e a proposta para o Matadouro desenvolve a mesma simbologia. Imaginem que em vez de o mui discutível investimento num novo equipamento(?), passamos a ter o mesmo valor investido num sistema patrimonial alavancado pelo território paisagem? Este sistema já existe informalmente. E em parte reconhecido pela UNESCO. Imaginem que em vez de um sítio novo e artificial avançamos com uma ideia, política de deambulação, deriva e fruição de uma cidade andante, como são o Porto e Gaia. Imaginem só que imagem passamos para o interior e para o exterior; os carros que evitamos com corredores, alamedas e vias assentes na mobilidade, seja ela mais ou menos suave; as pessoas! sim as pessoas que vamos captar para esta forma simples de andar, deslocar e apreciar; a vida nova.

IV

Este é o tempo de sobrevoar o rio entre pontes imaginadas. As ligações etno biográficas dos territórios num antropologia sistémica de cariz cultural. É fácil usar esta marca da paisagem na paisagem e a favor da paisagem. É incontestável a sustentabilidade de uma solução plausível a partir do património erigido e como tal adquirido pela população. As pontes são oportunidades claras de ligação entre a fisicalidade geo política da cidade mas acima de tudo entre a arte e o engenho em gerar uma forma de estar com o futuro.

Na prática bastam umas rotas, numeradas, classificadas e impecavelmente mantidas. Circulares, sobrepostas e integradas num sistema de mobilidade, intermodalidade e fluxos orgânicos entre residentes e visitantes.

IV

E que tal PDM?

August 17, 2021

Se até a hipocrisia está em crise, vamos ter que lidar com a realidade em breve. Evitar este mundo real implica distanciar a percepção da observação e, em todo o caso, assumir a ausência da holística como modo.

A percepção, a observação e a holística são os factores essenciais para a consolidação do conhecimento sobre a vida real, a presença e a existência.

Entendimento e compreensão sairão assim da crise! Talvez a seguir o mesmo aconteça com a humanidade.

August 16, 2021

Decidi escrever mesmo não sendo preciso. Caso seja, a tua mãe vai ajudar a traduzir o que te digo por mim.

O mundo como eu o vejo mudou. Assim será para todos, sem fim. Desde atrás, quem me segue foi seguido, e até tu, terás que seguir por ti, assim.

Primeiro vais estranhar, mas como eu, depois, vais gostar. Para isso basta olhar um espelho e perceber, que a imagem se reflete a ti, e ao teu lugar.

Pensa: essa imagem que olhas agora já passou, e só no tempo que demorou a ser vista! Podes usar esse espelho para ver o passado mas a única imagem do presente é a que tu emites pela tua existência.

Foca: a tua posição nesse engenho, pois o resto é futuro e só precisa que olhes para além desse espaço, dentro e fora dos limites que tens em frente.

Mesmo o que te digo tão certo, precisa que penses por ti. Podes entender o que digo e saber onde não estou, mas tem sempre presente, que não me estou a impor, e assim perceber melhor como me foi possível pensar com dor. Podes dominar a tua vontade, sobre o que queres ser teu, desde que nunca ignores a tua influência que tens, da terra ao céu.

És e serás feito do que tu quiseres ser, e aceita só, que há em ti um pouco do que me fez a mim quem sou. Esse é o único legado, que terás que assumir como provado, e nada mais meu te obriga a viver condicionado. Mesmo esta carta que agora lês, é um exemplo da tua vontade em ler, e não da minha vontade em ser lido, como vês.

Vai, aprende a vida na certeza que dar é também a certeza de um fim, seja teu ou de alguém perto de ti. Aproveita o mais que quiseres e como eu tentei, deixa o teu melhor para os outros, que eles vivem bem melhor assim.

Nesta carta carrego a inquietude de tudo por descobrir, e a ti, só ouso perguntar: que mundos ainda te faltam abrir…? Por essas paragens caminhamos juntos, mesmo ausentes, pois aí está o meu mundo, e tu, só te cabe ser quem és por ti.

Também tu és vontade, que eleita entre tantas outras, quis ser verdade. És real, pela tua mãe e por mim. Sem acaso, nem nada que se pareça, és a nossa manifesta certeza em que algo aconteça.

Acarinha a tua mãe, a quem te peço que cuides como a fonte de um amor eterno.

Vive e sente viver, pois só assim saberás como eu, um dia, ter esta vontade que tenho em te escrever.

August 14, 2021

Portugal está a inverter a famosa balança comercial há já algum tempo, onde a exportação tem um valor maior do que a importação. Assim ditam as regras de uma economia próspera e eficaz com relevo na otimização do sector energético. Nesta equação simples, a prosperidade económica tem como principal indicador a matéria, o produto e a transação, como um balanço feito entre o acto da compra e o acto da venda ( descrição leiga ).

Exportar é um desejo económico.
Geralmente sobre bens, transacionáveis, e identificados em várias tabelas compostas por indicadores e variações, influenciando o valor do bem, desde a origem até ao destino. Para o valor real nacional é considerado na origem o custo da extração, da transformação, da produção. Há também o custo da distribuição, aos quais são depois adicionadas impostos e taxas, consoante a sua posição pautal e decorrente de classificações como a de Nice. Há ainda outros tipos de majorações possíveis, tais como sanções entre mercados, sempre consideradas como penalizadoras do valor inicial, bem como inúmeros acordos específicos regionais, aplicados no destino. Um sistema complexo na perspetiva do custo, mas muito simples na aplicação da taxa.

Portugal, tem uma forte indústria de extração, transformação e produção de quadros superiores, licenciados e académicos dos segundo e terceiro ciclo de estudos. São geralmente provenientes das instituições de ensino público, com o impacto conhecido no orçamento da educação e por consequência, na nossa economia. Há investimento real na extração deste tipo de recursos, com a devida transformação financiada em cada unidade particular. Melhores ou piores não é o interesse nesta matéria pois, procura-se principalmente extrair recursos aptos ( o que podemos considerar a maior parte ). A obtenção deste recurso apto é a grande missão coletiva desta indústria transformadora, não fosse essa a única preocupação que a procura identifica, neste mercado claramente regulado. Por fim, geralmente, para o mercado o diploma basta; a proveniência, já não interessa tanto.

A distribuição, neste caso para o exterior ( seja lá onde isso seja ), para onde normalmente existe capacidade de consumo do recurso, é bastante simples: a partir das politicas transitárias europeias, dos acordos internacionais de acolhimento, ou até do simples acesso a praticamente qualquer território que o passaporte nacional proporciona, os recursos podem ser localmente aplicados. São na sua maioria acolhidos com uma boa taxa de sucesso, em contraste com o território português onde os recursos abundam e o mercado está saturado, e logicamente sem qualquer capacidade de absorção de excedentes.

O mercado de origem não tem então capacidade de absorção total e os mercados exteriores continuam a receber recursos, e desde que aptos, são colocados.

Podemos falar de sobre produção mas, será esse o caso na educação? Existe produção a mais ou unidades produtivas sem critério? Outra conversa com certeza, pois o que interessa afirmar é que esta saturação implica variações no recurso, adaptações contextuais, ajustes impossíveis de imaginar num quadro formativo académico e dá azo a novas estirpes sobejamente conhecidas ( precários, inadaptados, geração isto, geração aquilo … ). Mas não será também nestas mutações virais que surgem novas oportunidades e desafios completamente imprevistos? Ficamos por aqui.

De volta à análise de valor, deste ponto surgem duas hipóteses:
01. a depreciação do recurso extraído
02. a exportação do excedente.
01. a depreciação por sua vez decompõe-se em extinção, usurpação e até canibalização do valor do recurso.
02. a exportação, e visto que não é na sua maioria uma atividade regulada, implica o prejuízo direto de todos os esforços de extração, transformação e distribuição que a política de investimento na educação precisou.

Ou seja, se há recursos ( incluindo os custos facilmente identificáveis ) que “saem” sem taxa para o exterior ( ausentes de classificação pautal e designação de exportação ) e sem relação com possíveis proveitos ( presentes ou futuros ), há um indicador económico com falhas na sua análise, a famosa balança comercial. Simplifico, na saída do recurso como equacionamos o prejuízo tido na sua extração? Há algum tipo de retorno previsto?

Os dados não são limpos ao ponto da leitura e do conhecimento dos critérios de micro escala, os quais, mais ou menos relevantes ( não sabemos ) parecem indicar que há um possível problema na análise da matéria. Se, para efeitos da dita simplificação, nomearmos este recurso como “talento”, não temos ideia do impacto económico que a “exportação” ( espontânea ;)) deste recurso tem para nós. A emigração pode considerar a formação mas não considera nenhum valor individual ( e ainda bem que os tempos de preço por cabeça já não voltam ) mas também não consideram a especificidade da origem das remessas. Ou seja, podemos defender que o valor de custo pode ser amortizado na leitura da remessa, mas não há dados ( e bem, pelo direito à privacidade como forma de regulação comparativa entre recursos ) sobre essa possível amortização.

E isto interessa? É assim tão importante definir os limites da nacionalidade para a distribuição de qualquer “riqueza” científica para além das fronteiras económicas e políticas de uma região? Não fosse o sistema capitalista e não, não interessava para nada; haveria somente um bem universal, sem possibilidade de transação e propriedade, e que seria de acesso livre para qualquer tipo de transformação adicional, pessoal ou coletiva.

Mas para muitos é aqui que surge um novo dilema: como garantir os direitos de base à origem… ? E voltamos de novo ao sistema atual, onde a resposta ( económica ) é dada pela identificação da origem e classificação do bem pela proveniência, neste caso, académica. Esta atitude endémica garante que inúmeros sistemas se relacionem e consolidem dependências onde só interessa a extração, transformação e produção de recursos. É um mega sistema, fechado, apoiado no financiamento público, com múltiplas dependências e interesses privados, que se rege por objetivos tão simples como o ratio entre o número provável de diplomas e o número possível de vagas preenchidas. É mais fácil de perceber o impacto negativo para o ecossistema científico e cultural da humanidade, se compararmos este processo com a famosa indústria da carne…! Há paralelismo entre a poluição e o uso da água que o consumo da carne implica, pela sua escala de produção industrial global ( gerando resíduo, desperdício e excedente ao ponto da exportação desvalorizada ) e, a constante produção de recursos humanos altamente especializados pelas academias e instituições de ensino superior. Somos obrigados a exportar! A qualquer custo, seja por iniciativa do produtor de carne, seja pela necessidade básica de subsistência do recurso científico extraído no tal sistema fechado.

Foram várias as tentativas de mitigação deste fenómeno, das quais me recordo das campanhas de captação de capital aos emigrantes, políticas de retorno e até repatriamento aos necessitados, mas também das campanhas locais de tentação aos recursos de outras paragens, assentes na ideia de inversão deste processo de exportação de talento nacional, para que esses externos se instalem e participem na economia local. Resultado prático: ondas migratórias, geralmente associadas a fenómenos políticos e consequentemente económicos, sem qualquer tipo de impacto visível para nada que não a tal perda de recursos nacionais especializados para outras paragens. E porque raio isso é uma perda? É assim tão mau formar alguém num sítio e que depois, vai trabalhar noutro lugar?

Sempre em movimento, a economia não permite parar para perceber o que realmente interessa, no entanto, encontramos termos como reter ou deter, e que parecem regular um sentimento de posse completamente obsoleto. No entanto, são estes quasi princípios que se mantêm presentes nesta forma de manter o sistema em competição, comparação e lucro. Esta mesma forma de quantificar e qualificar o que é nacional, evitando a noção de global é afinal a grande diferença de base etimológica que pretendo sinalizar.

O recurso e o seu valor podem ser relativizados em muitos factores mas nenhum é tão relevante como o custo. Podemos falar do seu valor científico é certo mas, geralmente, esse assunto é renegado para a ( elite ) do terceiro ciclo de estudos, onde a investigação, a associação e a agregação à instituição de ensino, são ainda formas de promover o grau de pureza e concentração endémica verificável pela proveniência. O valor do recurso não é assim definido pela sua capacidade de produção implícita. Um engenheiro produz riqueza, e desde que o mesmo seja apto, vai continuar a produzir independentemente do local onde pratica a sua profissão especializada. O seu talento só vai depender da sua possibilidade de colaboração, ou seja do local onde pratica a sua profissão.

A proposta que falta discutir é a que assenta na participação distribuída do ensino académico como um custo de extração dedicado à humanidade e indiferente do capital regional ( e portanto relativo ) o que estabilizaria as bases de construção comum de uma sociedade global perfeitamente equilibrada. Percebo que para alguns esta normalização pode gerar perniciosas dominâncias ideológicas, mas será sempre um factor a considerar na perspetiva do acesso e da defesa de direitos universais para os os primeiros e segundo ciclos de estudos. Há processos a decorrer com vista a atingir esta bitola, mas as dinâmicas de ranking e captação de valor financeiro destacam certas instituições exatamente para vertente do acesso limitado e da formação de elites endémicas sem valor real aplicável à sociedade ( salvo muito raras exceções ).

O mal não está em exportar talento, está em não saber o que a palavra implica em quem se exporta e sobretudo em quem acha que o melhor termo para a construção colaborativo do futuro da humanidade é um ideal capitalista.

Exportar é um termo colonizado que interessa repensar.

August 12, 2021

Technology, isn’t the topic. Human behaviour is.

What to debate in a reward/cost predicament? Personal reward or collective cost?

What’s the motivation on destroying by excluding the long term vision?

Economists should learn from religions on how to force belief and stimulating responsability.

August 10, 2021

Why, do people, steer away, from simplicity? Why…?

As a general struggle to even understand the definition, (by expecting) for people to thrive on simplicity requires a different type of approach: may it be on the analytic observation of the phenomena, may it be on the proposition of my perception on the topic.

For a start, one can deduce that simplicity is not achieved or overcome; is not a stage in a proven methodical doctrine or a designated step in a innocuous improvement program; is not a synonym of a minimal, scarce or thrift way to include some kind of conscious conduct in the most erect way of being socially aware ( “anti-social” may well be the unapologetic terminology to the contemporary inversion of values in this preposition, specifically for the mob society but, this is rather off topic for the moment ). Simplicity can be deduced from the behavioural set of values people practice daily, routinely and almost unconsciously, as in the organic practice of an identifiable attitude without internal effort or exterior pressure and rather, dealing with the autonomous responsibility to be an individual part of a group, in any known or unknown environment.

There are more environments in which simplicity can be mistaken because of the approach. The observation says that simplicity is the shortest path to the solution, but the perception negates the comfort of what a full blown process can induce in our professional minds. Some say: if we need to take down the rules to achieve the result we must. But I question: where’s the sustainability in that rather simple escapist decision? I am not saying that vertical organisations are always predictable, or bad, and that here and there, a shortcut is not the key… I’m just saying that people are not ready to live in a pseudo horizontal relational schematic and temporary flowchart, that is in reality, a poli directional, omni directional or even directionally absent system! Directors, leaders, managers, captains and sergeants, are not ready to endure in this ecosystem because the mob does not know how to perdure in this kind of ethical simplicity. Work, ( labour wise… ), can be seen as an affront to simplicity, because its currently embed in so much capitalist, racist and egotistic politics that everything around it is simply inexistent as a product of good, prosperous and sustainable practices. Money should not be the problem also, but since it was morphed from a token of a respectful exchange into the fuel of our political control and anthropological happiness, everything collapsed into present day society.

Large companies are complex professional graveyards but they are not the enemy, or even the cause, for this generalised lack of simplicity. People are. The same ones that apply to, and dream of, about the type of life that those professional choices can inflict into others. This games of want to have, by any means, and always better than anyone around me, only reasons waste, acclamation and destructive comparative behaviours. Its easy to feel tempted by the way of life of a few; its easy to forget the real satisfactory and complex way of rewarding life with richness and not wealth; its really easy to forget that we are not able to be alone for a necessary amount of time in order to sense the world around us; its easy to stop engaging with people because we think we are connected; its easy to forget to practice and evolve a set of values that we must consider as insufficient for the next generation to cycle to; its easy to elaborate on complexity.

Once i said: Once I said that : the secret of simplicity is living with the essential ; but now I have to evolve that into : the essential simplicity is living truthfully. I guess this is an ongoing quest! There is no secret for simplicity. Simplicity does not need a definition, or a consideration. Simplicity is existence, in the most profitable form possible, without any type of currency attached than human progression, in any field or medium. I guess I cannot escape the predicament to it either as I keep pushing “definitions” for something that cannot be described without being lived…

In my common places I always find excuses for people in the lack of training, and therefore, absent positioning they suffer from. Also, and near this range of semantics, I can find myself searching for sets of values, ethics and even aesthetics to sustain a possible “cure”. Simplicity shows me that I do not need do to so. I can simply try to describe my position, relative to my life and how it can modulate by influence the presence I have as an existing body of thought and responsibility.

In this lack of definition I endure.

PS I chose to not discuss familiar and amorous relations in this context, and focus on social and professional environments, due to ongoing works in both fields

August 8, 2021