What’s the last thing you remember saying to yourself?

July 30, 2021

Um processo longo de auto reflexão. Dificilmente isento e claramente dependente da aceitação do pressuposto ambiental da influência direta. Culturalmente penoso, socialmente ignóbil, mas é assim que registo um percurso onde passei uma década sem ler.

Agora sei porque o fiz, e mantenho a minha escolha, quando descubro vezes sem conta, que orbito na erudição de tantos outros, como se a estivesse destinado a encontrar.

Sociedade, academia, campos específicos da arte, da cultura e das minhas práticas profissionais vão ser invocadas em diversos momentos num conjunto de pontos que reservei para a segunda parte da minha carreira ( a primeira parte foi dedicada a garantir a existência da segunda … )

Títulos e especializações, formações e participações, recolhidos no critério que está definido nas regras deste jogo secular. O tempo ocidental define qual o acesso, o desenvolvimento e a melhor aplicação para praticamente todos os campos de interesse. Com especial atenção para certos campos, onde a manifestação deste ecossistema de propagação global tem maior impacto.

E foi assim que escolhi seguir o caminho do terceiro ciclo, estudando de dentro para fora o que sei ser necessário descolonizar. Improvável?! Surpreendente?! Ou a delação suprema do sistema ocidental? Daqui a uns 3 ou 4 anos eu conto como foi.

July 29, 2021

Vivemos onde, no mesmo sítio que se fala da falta, se vende o excesso; onde, sinalizada a fome, a doença e a morte, permanece o egoísmo, a fantasia e o vício. A sociedade como sistema não tem mais surpresas, pelo menos daquelas que julgamos nem sequer existir e no final, são a rotina de todos, sem exceção.

Vivo e falo por mim, e mesmo assim, junto-me às regras do jogo para poder deixar algo melhor para alguém.

A mudança já não chega, revolução é temporária, violência nunca foi solução. É preciso uma nova posição.

Treinem.

July 26, 2021

O significado da palavra sacrifício está demasiado conotado com a noção de punição, perda e até morte. Ninguém está disposto a largar, afrouxar e até renunciar o que acha que é sei por direito, mesmo que não tenha sido adquirido ( excluo desta missiva a noção de comparação ou até perda sobre qualquer direito fundamental ).

Todos se acham no direito de copiar acefalamente o próximo, progredindo assim o campo de evolução humana, em valores negativos. Educa-se o atalho, sem sequer equacionar o seu possível contexto erudito. Praticam o desprestígio de si próprios através da negação da individualidade, da coletividade participativa e dos valores dedicados à ( extinção da ) antropologia social e cultural. Vivem numa etnografia global, descartável e efémera, no entanto extremamente eficaz e gratificante. São felizes!

Poucos ( pois ninguém é exagero) estão disposto a procurar o sacrifício. O termo, aqui, não implica punição nem sofrimento: só altruísmo, entrega, estudo, posição. Investigando ligeiramente, atingimos uma parte do significado incluído num outro termo que me diz muito: abnegação. Para muitos, até já é demasiado, parece quase nobre, mas mesmo assim não o praticam e como tal caem no vício da falta de sacrifício.

Pais não se sacrificam pelos filhos, no tempo, responsabilidade e dedicação que lhes é exigido, por quem não escolheu vir ao mundo. Filhos seguem os pais, obviamente, e são na maioria a sua imagem fiel. Incluamos grupos, associações, governos, países e entidades mais ou menos globais, onde prevalece o capitalista, o ausente, o egoísta resignado com o seu próximo consumo. A propagação é global.

Relativiza-se assim a importância do valor social que me tentam impingir, seja na rua, no ecrã, no áudio ou no que leio. Prefiro manter a minha atenção na história que deixo para contar, e sem qualquer distinção intelectual afirmar, que o mundo não vai mal, está só a mudar.

July 25, 2021

O que me interessa ter? Quem me interessa conhecer? Quantos mais posso juntar? Será que chegam estes? Em que ponto é demais? Quando posso acabar? No que podemos acordar?

Tudo é nada. Tudo, impede a vontade indómita.

July 24, 2021

When construction is not enough to answer to a specific situation or demand, unbuilding comes as the most appropriate answer.

Constructing only occupies the spectrum of probable solutions, with volumetric space always being conducted to a state of “human like” environment. The term is never dissociated from this enlisting to a categorie of recognisable places, spaces, or faces ( Agnès V. anyone …?! ) and also, is not taken into account the range of possible approaches/solutions that other views, perspectives or coherent positions, in which this occasion may occur.

This can also be a vague statement, but if we defer from the definition of demolition ( the predictable synonym and mental picture the large part of us take into account when considering unbuilding as an action ) most of us can actually impose onto themselves a rather constructive presumption on what actions can be applicable to that activity.

Unbuilding ( or to unbuild ) is therefore the act of conscious decision over a specific habitat, either it has been humanised or have been kept in it’s most natural form.

This semiotic exploration is not in any way exclusively connected to urbanism, architecture or engineering ( as construction actions, but to production as an universal activity ) , and rather as an analytical mechanism conducting specific transactions in our habitat with our presence in any scale, duration and anthropological context. This is not also, a diminished position towards the theoretical anthropocene ( which we strategically do not extend to the boundaries of society, but still regard as a unit in geologic time ) and rather an extension on what proper training, positioning, and perception can induce to us all as useful tactics.

Deconstructing, unbuilding, decolonising are very strong words, that contain the strength of this particular insight on how to propose innovation, in the way we experience systems, methodologies and cosmologies.

July 23, 2021

“… Completa pela bagagem etnográfica da paisagem histórica e cultural de um território e das suas imagens, a representação tem além de todas as provas e camadas do conhecimento universal a leitura no tempo que afetam a noção do espaço onde nos reconhecemos humanos.”.

Sim, reconhecer a nossa posição exige reconhecer a firmeza coletiva dessa sociedade, dos seus valores e dos pescados. Reconhecer a posição é ainda a noção da percepção da forma, na geometria da observação indiciada pela distância relativa do coletivo ao emissor. Reproduzir o óbvio sem transitar para o valor patrimonial do futuro, é uma oportunidade perdida, em participação e humildade. Representar esse processo é a minha opus.

July 23, 2021

O enredo, o segredo, a contemplação. Seja o que for precisa ser contado para alguém, da forma correta, formalizando a política de produção num processo ético e onde a filosofia toma o seu lugar. Publicar, tornar público, sem ser escândalo ou acidente; uma definição reservada para a exclusiva presença dos argumentos da obra, na obra editorial, mais ou menos articulada de forma científica mas certamente intelectual e entendível. Mesmo sem formação há inúmeros exemplos do que agora raramente se faz. Ensaios, manifestos, registos, diários, novelas, dá trabalho escrever. Ninguém lê!

Para mim A exposição é o início e não o fim. Está é A política de produção que pratico. Esta É a obra que componho, e uso quem vê para ser A obra em si. Ciclos.

July 22, 2021

O silêncio que ensurdece, pela falta de uma distinção clara do que entendi. Não é o silêncio que nos ensurdece, mas antes a falta de saber ouvir.

July 21, 2021

De olho na exposição. O artista, a produção, a vernissage. O clímax da vaidade e da energúmena vontade em mostrar. Voyeurs a postos e já está. Consome-se tudo! Quadros, bebidas, narrativas, aperitivos, instala-se uma narcolepsia, cataplexia, que me deixa a mim atónito, paralisado, no quadro alucinatório da obra. Momento medíocre, momento de dúvida, momento de insegurança, momento de julgamento… Momento, nunca epítome prolongada.

Pelo cariz da mesma, a exposição amplifica todas as práticas investigativas reunidas na manipulação da virtude, do pecado e da moral, numa ética de recolha de dados, num ciclo infinito de interação com o público observador.

July 21, 2021

A suprema importância da interação! O artista, a obra, os observadores. Quem serão os participantes? Momentos intermédios de trabalho, provam a importância de uma construção assente num processo de observação a partir de uma metodologia de perceção. Enquanto não houver método não haverá processo. Sem análise não há crítica. Sem conceito podem continuar a jorrar ideias. Sem onerar o público com a parte que lhe cabe, além do bilhete chato é claro, não é possível mostrar o que é a verdade da obra: o medo de ser recusado, negado, repudiado. Abnegação suprema!

July 20, 2021

Emoldurar desvios ilusórios em dilemas sociais: o exercício que fala da falha que falta aceitar: uma imagem repetida pelo espelho que reflete tudo menos sobre o paradoxo da imagem que podia ser vista na noção do tempo que a luz nos trás: os certos locais, que pela sua psicogeografia, demonstram que o espaço não se ausenta do nosso tempo, mas pelo contrário: são esses que nos explicam que somos nós quem descura o habitat que nos contextualiza:

July 19, 2021

Nem uma se faz bem, quanto mais tudo ao mesmo tempo. Complexidade versus a inepta competência de aprender concentrado, de apreciar e ser apreciado, de usar o tempo sem o vagar de outros tempos e mesmo assim atingir o significado que ele tem para todos, decorrer.

July 18, 2021

Ahh… tão pouco é pensado além do pormenor: nem plano pequeno nem maior. A obra evidencia a falta capital: seja de parágrafo, capítulo ou índice nominal. Para quê, se arte se faz do improviso, da vontade, do ego, do que surge e se promete como novo? Método?! Pfff… Nah… Acumular num processo acessível a todos as bases, as que nos dão mais do que o resultado? Mas acima de tudo, propor que o resultado não seja extinto no momento da sua apresentação? E que tal um ciclo contínuo de produção, que ativa pelas suas políticas, uma nova forma de implicar a narrativa do artista no seu público? Eihn…

July 17, 2021

O desenho beaux não está ao alcance de qualquer um, e por isso divagam em supostas ilustrações naïf, como que a suprir a falta de coragem em investir na técnica. Anatomia, biologia, química, física, matemática, sociologia, coreografia, cinematografia, fotografia, enfim, um conjunto de campos que são a soma da tal dedicação… Dão trabalho, muito. São uma teologia, e retiram tempo ao deboche, aos pressupostos que outrora se regiam pela la fée verte líquida (e que agora se fuma). São uma alucinação, pela figuração, para ampliar o reconhecimento individual com os deuses do nada. Uma bande à part do tempo mas dentro do que se espera da moda, e da forma de acabar o golpe, numa glória que só os mesmos conseguem ver, sem uma história nova para contar.

July 16, 2021

Exige-se o contacto com a realidade, pela deambulação. Os espectros da cidade existem, sem sequer ser necessário um filtro paranormal. Basta olhar, mesmo, e ver. O canto, o recanto, a amplitude, a intimidade ou até a falta disto tudo, existe! Cada local faz a sua parte, no entanto, procuram-se sempre as excepções (as mais teatrais possíveis), e ignora-se desta forma o génio de cada lugar, naquilo que o espectro configura como meta momentos de reconhecimento espacial, temporal, cultural e social. Procura-se a foto perfeita e pede-se o encanto da fantasia, bem afastado da realidade da obra.

July 15, 2021

Treinar o exercício de base filosófica, inserido numa purga investigativa, posicionando desta forma, cada indivíduo, perante a sua imagem, em si, a obra. É assim tão difícil esta atividade extra corpórea ser uma prática comum, onde cada pretenso, emula uma visão além dos lugares comuns? O loop interminável de iguais afronta-me, aziado, na inquietude da forma desejada, seja desenho, figura ou bloco de cor…

July 14, 2021

Posicionar o que tende a ser manuseado como figurante. A estratégia infrutífera da ativação pela mensagem erudita, que termina no domínio do emocionalmente social. Sem outra tática que não este acenar descomprometido do outro lado do caminho, com as ferramentas afinadas para o esquecimento, o artista é vítima do que sugere ser o seu próprio dilema.

July 13, 2021

A mesma narrativa geométrica de sempre, onde as mentes quadradas andam em círculos e os ineptos pontos individualistas desenham o coletivo programado. É o desenho clássico pelo pecado, sem vetor pela virtude, com o bloco da marca, do objeto desejado, como o novo protagonista. Viver acordado é um ensaio dramático sobre a narrativa percepcionada.

July 12, 2021

Do macro para o micro, do maior para o menor, fora para dentro, baixo para cima, esquerda para a direita. Assumpção pressuposto, preconceito. Mecanismos compensatórios da falta de práticas pessoais de auto reflexão… Ilusórios desvios ou desvios ilusórios? Não interessa a ordem se não há critérios na prossecução consequente e obrigatória do após… Consumir coisinhas avulsas não.

July 11, 2021